quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Mourinho e a síndrome de Luxemburgo




José Mourinho, ninguém pode contestar, é um vitorioso. Campeão por todos os clubes pelos quais passou, tem em sua prateleira dois dos títulos mais cobiçados: uma Liga dos Campeões, pelo surpreendente Porto (temporada 2003-04) e outra pela Inter de Milão (2009-10), numa época em que o Barcelona já dava as cartas no futebol mundial.


Seu currículo vencedor o levou ao Real Madrid (2010-13), cuja missão era quebrar a hegemonia do clube catalão de Pep Guardiola. Uma tarefa inglória, mesmo para o Special One.

Mourinho percebia as dificuldades em se bater um time como o FC Barcelona, com Messi, Iniesta e Xavi que demoliam defesas mundo afora,  e isso o  frustrava.
Após tantos reveses, como o mal perdedor que é, o treinador do Real optou por incendiar o clássico, que apenas por seu componente histórico (Espanha vs Catalunha) já era “quente”.  Mais a cada insucesso José Mourinho culpava a arbitragem, Guardiola, os cartolas que eram responsáveis pela Liga Espanhola, a imprensa, os jogadores...Todos, menos quem era de fato, o maior responsável: ele mesmo. Mas isso feriria seu orgulho.

O clima de guerra instaurado por Mourinho não o ajudou muito, mas acirrou os ânimos o suficiente para contaminar o clima na seleção espanhola. Apenas quando o bom senso de Xavi e Casiilas (goleiro do time madrilenho) interveio é que as coisas se acalmaram um pouco. Não o bastante para remediar o que já havia acontecido, inclusive a performance da Fúria. Aqui sua carreira chegava a um ponto de estagnação. Seu ciclo terminara com sabor de derrota.

A decisão mais prudente era mudar de ares , e nada melhor a uma casa onde já fora campeão anteriormente: o Chelsea.
Apesar de conquistar um título da Premier League (em sua primeira passagem foram duas conquistas do principal torneio inglês), Mourinho já dava sinais de esgotamento criativo. Não que ele fosse um Guardiola, mas conseguia montar times com um padrão tático bem definido, o que não se via na sua volta à Inglaterra.
A cada insucesso José Mourinho culpava a arbitragem, treinadores rivais, os cartolas que eram responsáveis pelo campeonato inglês, a imprensa, os jogadores...Menos ele.

Há uma regra implícita nos meandros do futebol, que todo técnico deveria seguir: NUNCA CRITIQUE SEUS JOGADORES PUBLICAMENTE.
Um cara tão experiente como o português, cometer um erro tão primário desses...Aos poucos os atletas do Chelsea começaram a “fazer corpo mole”, para queimar o chefe. A equipe chegou a flertar com a zona de rebaixamento, mas o intento foi alcançado. Sacrificaram o time, comprometeram o faturamento do ano anterior (se um time não se classifica para competições europeias, a queda na arrecadação é gigante), deixaram seus torcedores aflitos, mas conseguiram a saída de José Mourinho. Era o início da curva descendente.

Mais uma oportunidade em um gigante do futebol mundial; dessa vez no Manchester United, que desde a aposentadoria de sir Alex Ferguson não achava mais o caminhos dos títulos.
Boas expectativas, elenco forte e caixa para contratar quem precisasse. Resultado: um decepcionante 6º lugar (até o momento, fora da próxima Champions), algumas expulsões do treinador por reclamação e indisciplina e dúvidas sobre seu desempenho.
José Mourinho culpa a arbitragem pelos seus dissabores, os treinadores rivais, os cartolas que são responsáveis pelo campeonato inglês, a imprensa, os jogadores...Menos ele.

Isso me lembra as recentes entrevistas de Vanderlei Luxemburgo. Todos seus fracassos e insucessos têm uma justificativa, menos sua própria incompetência. Normal, é do jogo. O cara não quer desvalorizar seu nome, que é um produto e, como tal deve ser preservado. Começar a fazer mea culpa publicamente apenas dilapida a mercadoria.




Mourinho segue a cartilha, apesar de ser infinitamente melhor do que o treinador brasileiro e nem de longe viver o ocaso que o ex técnico da seleção brasileira vive (seu último trabalho foi na 2ª divisão da China, de onde foi demitido pelos péssimos resultados).

Talvez o maior empecilho para Mourinho voltar aos seus dias de glória seja seu ego. Mas a essa altura de sua vida dificilmente veremos uma faceta diferente do técnico português.

Se tiver uma trajetória desastrosa pelo United tende a perder espaço entre os gigantes do continente europeu. E ainda assim, dificilmente perderá a pose, a marra e o despreparo para lidar com derrota. Isso está em seu ‘dna’.





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