José Mourinho, ninguém pode contestar, é um vitorioso. Campeão por todos os clubes pelos quais passou, tem em sua prateleira dois dos títulos mais cobiçados: uma Liga dos Campeões, pelo surpreendente Porto (temporada 2003-04) e outra pela Inter de Milão (2009-10), numa época em que o Barcelona já dava as cartas no futebol mundial.
Seu currículo vencedor o levou ao Real Madrid (2010-13), cuja missão era quebrar a hegemonia do clube catalão de Pep Guardiola. Uma tarefa inglória, mesmo para o Special One.
Mourinho
percebia as dificuldades em se bater um time como o FC Barcelona, com Messi,
Iniesta e Xavi que demoliam defesas mundo afora, e isso o
frustrava.
Após tantos
reveses, como o mal perdedor que é, o treinador do Real optou por incendiar o
clássico, que apenas por seu componente histórico (Espanha vs Catalunha) já era
“quente”. Mais a cada insucesso José
Mourinho culpava a arbitragem, Guardiola, os cartolas que eram responsáveis
pela Liga Espanhola, a imprensa, os jogadores...Todos, menos quem era de fato,
o maior responsável: ele mesmo. Mas isso feriria seu orgulho.
O clima de
guerra instaurado por Mourinho não o ajudou muito, mas acirrou os ânimos o
suficiente para contaminar o clima na seleção espanhola. Apenas quando o bom
senso de Xavi e Casiilas (goleiro do time madrilenho) interveio é que as coisas
se acalmaram um pouco. Não o bastante para remediar o que já havia acontecido,
inclusive a performance da Fúria.
Aqui sua carreira chegava a um ponto de estagnação. Seu ciclo terminara com
sabor de derrota.
A decisão
mais prudente era mudar de ares , e nada melhor a uma casa onde já fora campeão
anteriormente: o Chelsea.
Apesar de
conquistar um título da Premier League (em sua primeira passagem foram duas
conquistas do principal torneio inglês), Mourinho já dava sinais de esgotamento
criativo. Não que ele fosse um Guardiola, mas conseguia montar times com um
padrão tático bem definido, o que não se via na sua volta à Inglaterra.
A cada
insucesso José Mourinho culpava a arbitragem, treinadores rivais, os cartolas
que eram responsáveis pelo campeonato inglês, a imprensa, os jogadores...Menos
ele.
Há uma regra
implícita nos meandros do futebol, que todo técnico deveria seguir: NUNCA CRITIQUE
SEUS JOGADORES PUBLICAMENTE.
Um cara tão
experiente como o português, cometer um erro tão primário desses...Aos poucos
os atletas do Chelsea começaram a “fazer corpo mole”, para queimar o chefe. A
equipe chegou a flertar com a zona de rebaixamento, mas o intento foi
alcançado. Sacrificaram o time, comprometeram o faturamento do ano anterior (se
um time não se classifica para competições europeias, a queda na arrecadação é
gigante), deixaram seus torcedores aflitos, mas conseguiram a saída de José
Mourinho. Era o início da curva descendente.
Mais uma
oportunidade em um gigante do futebol mundial; dessa vez no Manchester United,
que desde a aposentadoria de sir Alex
Ferguson não achava mais o caminhos dos títulos.
Boas
expectativas, elenco forte e caixa para contratar quem precisasse. Resultado: um
decepcionante 6º lugar (até o momento, fora da próxima Champions), algumas
expulsões do treinador por reclamação e indisciplina e dúvidas sobre seu
desempenho.
José
Mourinho culpa a arbitragem pelos seus dissabores, os treinadores rivais, os
cartolas que são responsáveis pelo campeonato inglês, a imprensa, os
jogadores...Menos ele.
Isso me
lembra as recentes entrevistas de Vanderlei Luxemburgo. Todos seus fracassos e
insucessos têm uma justificativa, menos sua própria incompetência. Normal, é do
jogo. O cara não quer desvalorizar seu nome, que é um produto e, como tal deve
ser preservado. Começar a fazer mea culpa
publicamente apenas dilapida a mercadoria.
Mourinho
segue a cartilha, apesar de ser infinitamente melhor do que o treinador
brasileiro e nem de longe viver o ocaso que o ex técnico da seleção brasileira
vive (seu último trabalho foi na 2ª divisão da China, de onde foi demitido pelos
péssimos resultados).
Talvez o
maior empecilho para Mourinho voltar aos seus dias de glória seja seu ego. Mas
a essa altura de sua vida dificilmente veremos uma faceta diferente do técnico português.
Se tiver uma
trajetória desastrosa pelo United tende a perder espaço entre os gigantes do
continente europeu. E ainda assim, dificilmente perderá a pose, a marra e o
despreparo para lidar com derrota. Isso está em seu ‘dna’.


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