quarta-feira, 30 de novembro de 2016
Breve Resumo do Decadente Futebol Brasileiro
E no princípio havia craques. E com eles o show de bola e a paixão que movia, principalmente quem vivia dele. Bons tempos...
Nesse período, os brazucas mostraram seu valor e conquistaram três títulos mundiais. Não conquistaram em 66, porque implementaram bagunça generalizada. Felizmente, aprenderam a lição e o Tri veio em 70, com todos os méritos.
Nos anos 80 veio a “era Telê”, pra nos colocar de volta no caminho do espetáculo, que tanto nos notabilizou mundo afora. Mas o retumbante fracasso em 82 (e até em 86, com a mesma geração já envelhecida) fez com que os fundamentalistas do futebol bradassem aos 4 cantos que as coisas tinham que mudar. E mudaram. "Espetáculo, o cacete! Agora é futebol de resultados!". E não é que isso foi levado ao pé da letra?
A ERA DUNGA
Em 1990, a criação de Ricardo Teixeira, Sebastião Lazaroni conseguiu afundar a imagem da seleção canarinho com partidas sem brilho, com uma geração excelente dentro de campo, mas capaz de externar os problemas de patrocínio da CBF (no caso, a Pepsi), por achar que estavam ganhando pouco do patrocinador. Resultado, eliminação precoce e vexame Em 1994 seria tudo ou nada.
Havia 24 anos que a seleção brasileira sequer chegava a uma final de Copa do mundo. Era também o último mandato do infame João Havelange à frente da poderosa FIFA. Ele não podia passar o bastão sem ao menos ter em seu currículo um título do time de seu país. Não importava a que preço.
NENHUM OBSTÁCULO SERIA TOLERADO...
Romário e, principalmente Maradona eram os principais da Copa dos EUA. Diego fez uma partida contra a Grécia memorável, mas contra a Nigéria veio o mais estranho “sorteio” para antidoping das histórias dos mundiais.
O fato de Maradona ser arrastado por uma enfermeira, em pleno gramado, para um exame, pareceu suspeito. Apesar do histórico do jogador argentino, todos sabiam do sacrifício dele para ajudar a sua seleção a se classificar para a Copa dos EUA. Se arriscar com mero ‘desentupidor nasal’ seria idiotice. A Fifa empurrou essa história do doping sobre o jogador argentino e os lacaios da imprensa mundial compraram a ideia.
Livro revisita mistérios de doping de Maradona e mostra ajuda de Blatter
Resultado: o único time que poderia fazer frente ao Brasil, perdia seu melhor jogador e, conseguinte, sua moral. O abalo foi imenso. O resto é história. Com o futebol pragmático e sofrível de Parreira e Zagallo veio a taça, mas o gosto amargo de um futebol ruim não desaparecia.
ENFIM, UM TÍTULO; AGORA FAVORITO DE NOVO
Em 1998 mais uma dose de futebol previsível e sem talento dava as caras na França. Havia valores individuais (Edmundo, Ronaldo Fenômeno, Denilson, Rivaldo, Roberto Carlos) que poderiam render mais. Mas não com um treinador ultrapassado como o Velho Lobo. Entre suas bravatas (“só falta um jogo!”) e piripaques de Ronaldo, nada de novo no front.
Felizmente, a seleção da casa se sagrou campeã. Vieram as cobranças por mudanças e tirar lições da derrota. Mas era apenas o mais do mesmo.
A FAMÍLIA FELIPÃO
O ano era 2002. Mesmo com um horário inglório muitos fanáticos passaram as madrugadas em claro para ver o esquadrão Scolari mostrar seu valor. Vimos dificuldades contra algumas seleções e ajuda da arbitragem para que a equipe mais rentável e que desperta maior interesse nos mundiais, passasse de fases. Primeiro contra a Turquia, num escandaloso pênalti para o time de Luiz Felipe Scolari; na fase de mata-mata a Bélgica foi a vítima da vez, com gol mal anulado. Resultado: Brasil, ainda que pouco convincente, campeão contra a Alemanha.
E mais uma vez uma conquista mascara os meandros podres do futebol brasileiro. Ao menos os germânicos aprenderam com essa derrota.
Em tempo: melhor jogador brasileiro do mundial foi o goleiro Marcos; isso era para acender a luz vermelha para os maganos do esporte bretão.
ZIDANE, OUTRA VEZ...
Em 2006, na própria Alemanha, os brasileiros provaram do gosto amargo da eliminação precoce frente a seu algoz costumeiro, a França do gênio Zidane. E a derrota escancara o declínio de Carlos Alberto Parreira. Seu pragmatismo que funcionara em 1994, se ressentia de uma dupla acostumada a grandes decisões, como fora Bebeto e Romário. Mais críticas ao status quo do futebol, que foram solenemente ignoradas, mais uma vez.
A ERA DUNGA
Já em 2010, a solução caseira da CBF teve um começo razoável; mas segundo alguns Pachecos (antigo personagem ufanista da publicidade nacional) travestidos jornalistas prefiram qualificar o trabalho de Dunga como ótimo. Burocrático e previsível, o dublê de treinador acenava com possibilidades de título. Como sempre, propaganda enganosa.
Seja como for, no seu ÚNICO desafio na Copa (contra a Holanda, acabou suplantado pelos adversários. Novo fracasso, novo “recomeço”.
A VOLTA DA FAMÍLIA FELIPÃO
Copa do Mundo de 2014, no Brasil. A maior humilhação de todos os tempos. A outrora seleção campeão, que encantava e produzia craques a granel fora demolida, humilhada, vilipendiada na sua própria casa. Tudo errado. Sem técnica, sem táticas, sem craques (Neymar ainda está em evolução) e sem equilíbrio emocional (o time mais chorão de todos os tempos), o que vimos foi a vitória do time que, em 2002 APRENDEU A LIÇÃO. Que do insucesso fez seu caminho para a conquista em 2014. A derrota que os alemães sofreram, os obrigaram a mudar, mas desde a base, até Bundesliga (rentável campeonato nacional), com resultados fantásticos.
A resposta para esse vexame? Dunga, novamente. E já era uma novela com final previsível.
ENFIM, TITE...
Os cartolas se cercam de quem confiam. Por isso passaram de Parreira para Zagallo; deste, para Luis Felipe Scolari. Daí para Parreira e Dunga, tudo de novo.
Tite, apesar de ser o único capaz de realizar um trabalho consistente pela seleção, nunca foi de inteira confiança de Del Nero e cia. Principalmente, pela participação do ex treinador do Corinthians em manifestos contra a própria Confederação Brasileira de Futebol.
Mas Tite é necessário. Ele é quase uma unanimidade; e permite aos cartolas saírem dos holofotes e conseguirem uma sobrevida, em meio a tantas investigações do FBI contra gente dessa estirpe.
E, de quebra, trás chances de ganhar títulos, novamente.
Bagunça, desmandos e corrupção sempre coexistiram no futebol tupiniquim. A diferença é que antigamente havia gênios caminhando entre nós.
Quando eles se extinguiram, os craques estavam a postos. Hoje não há nem uma coisa, nem outra. E isso faz com que se preste mais atenção no que acontece fora das quatro linhas. Não é de admirar que tanta gente tenha se desencantado com a seleção brasileira. Se já não há mais jogadores que encantam, então, ao menos, o técnico tem que ser o melhor.
Enquanto isso, o principal esporte do brasileiro continua com suas arenas superfaturadas, seu baixíssimo nível técnico, estádios com pouco público (salvo exceções), sua desorganização patenteada, com monopólio nas transmissões (ao menos por enquanto) e com violência das torcidas uniformizadas.
Muita coisa para apenas um treinador dar jeito...
Assinar:
Postar comentários (Atom)







Nenhum comentário:
Postar um comentário