quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Pelé e Neymar




  Qual é o legado de Pelé e qual será o de Neymar?

 Pelé, atleta do século XX (apesar de muitos europeus discordarem, preferindo Puskás ou Di Stéfano), símbolo do futebol brasileiro na melhor época do nosso esporte bretão. Neymar ainda busca construir sua trajetória, que tem tudo para ser vitoriosa, ainda que apressando as coisas. Mas em comum eles têm algo não muito positivo: não se importam com mais nada, além de si mesmos.

  Com o renome que tem, pense na contribuição que Pelé traria ao futebol. Alguma vez ele se manifestou ou tomou lado de causas nobres? Nunca. Não é do seu feitio. Ao contrário, ele compôs com o sistema em inúmeras oportunidades, chegando a fazer negócios com a CBF.
  Poderia ter protestado contra o racismo ou contra a ditadura. Afinal, ele seria ouvido e suas palavras teriam eco na sociedade. Nunca o fez. Poderia ter se manifestado contra a realização da Copa no Brasil. Mas não. Nem vou entrar no mérito familiar, pois o que ele fez com sua falecida filha foi execrável.



  O que ele deixa são suas jogadas maravilhosas, os negócios lucrativos envolvido seu nome e só.

   Neymar segue a mesma toada. Nunca criticou os desmandos do futebol brasileiro, nem quando jogava aqui. Não se preocupa com as condições adversas que seus companheiros enfrentam por estas bandas nem dá a mínima para a corrupção a céu aberto na CBF. Também nunca manifestou apoio ao Bom Senso, movimento de alguns jogadores (e ex também) por melhorias nas condições do esporte mais popular do Brasil.



  Seu legado será de jogadas maravilhosas, de negócios extremamente lucrativos envolvendo seu nome e só.

Muito pouco para esportistas que ultrapassam as fronteiras do futebol.



quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Os Fortes Concorrentes a Melhor do Mundo





  Há cerca de duas temporadas que se coloca Neymar como postulante a melhor do mundo quando Messi e Cristiano Ronaldo entrarem em declínio. Mas talvez estes mesmos 'analistas' estejam convenientemente se esquecendo dos demais grandes jogadores pela Europa afora.

É claro que, em se tratando da crônica esportiva brasileira, pouco há de objetividade. Salvo as exceções de praxe. E no que tange ao "menino Ney" pouco se vê de imparcialidade pelas redações daqui. E isso é ruim, pois se ignora muita gente boa de bola que não seja o 'golden boy' do PSG.



 Veja os exemplos de Hazard e De Bruyne. Fazem parte da elogiada geração belga e são destaques de seus respectivos times na Premier League: no Chelsea e no Mánchester City. São os mais talentosos, mais criativos e os que dão ritmo aos jogos. Continuando desse jeito e na Copa da Rússia podem fazer da Bélgica uma grata surpresa no torneio.



     Da França temos Mbappé e Dembélé. O atacante do Paris Saint-Germain apesar  de muito jovem já demonstra bastante potencial, muitas vezes sendo ele o mais decisivo  nas partidas no campeonato francês. Além da humildade e profissionalismo que demonstra. Dembélé é uma jovem promessa que, assim que vencer os problemas com contusões terá muito a acrescentar ao Barcelona. Quando ambos se estabelecerem na seleção francesa, a ascensão será inevitável.



  Philipe Coutinho que já é uma realidade, só tende a evoluir no Barça. Assim como Sallah, que atua no Liverpool pode surpreender muita gente se continuar no ritmo que vai.



  Mas Neymar deveria se preocupar mesmo é com Gabriel Jesus. Seu desempenho é excelente no City, com um aproveitamento acima da média. Quando se firmar titular, só tem a crescer, ainda mais com um treinador como Guardiola.



  Nada disso valerá enquanto  Messi e CR7 continuarem a jogar como ainda estão jogando.

  Mas pelo rumo das coisas, o futebol arte estará bem representado quando ambos pararem.




terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Adriano e a dificuldade de se dizer adeus




  Adriano, o Imperador,  talvez tenha sido quem mais se aproximou da importância e do talento do Ronaldo Fenômeno. Presença na área, belos dribles, chute forte, explosão... Tudo que o ex atleta do Real Madrid tinha de sobra. Mas resolveu sabotar a própria carreira. Mesmo reinado absoluto na Inter de Milão. Talvez as más companhias, o pouco preparo para as exigências do futebol profissional, ou até por estar farto da rotina. Fato é que ele deixou o futebol quando ainda podia contribuir muito. Quase igual o que aconteceu a Ronaldinho Gaúcho.



 Quando participou de um jogo beneficente no fim de ano criou-se uma comoção muito grande sobre um possível retorno.

  Quão desesperado está o torcedor brasileiro por ter de volta um ídolo de um passado recente, que hoje não tem mais condições físicas e técnicas para atuar em jogos oficiais? Qual o tamanho do vazio no coração do rubro-negro? Adriano é o retrato do jogador que tinha muito talento, mas excetuando-se  alguns momentos pontuais (incluindo aí a seleção) a revelação do Flamengo sempre agiu contra si mesmo. Sua volta seria decepcionante, como foi sua passagem pelo Corinthians.  Talvez mais.



  Imperador chegou a fazer parte de uma geração fantástica, do qual ele seria um sucessor. Passaria o bastão e seria ídolo das multidões. Mas ele assim não o quis.

Adriano é mais um exemplo de como um jogador brasileiro pode ter tudo em suas mãos e não aproveitar. Já aconteceu antes e continuará depois. Mas para quem gosta de futebol arte, ele faz falta. 


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

NEYMAR E A SÍNDROME DE PETER PAN








Ser o principal jogador brasileiro dá a Neymar Jr uma sensação de querer é poder permanente. Desde seu início no Santos, no Barcelona, na Seleção Brasileira e, por último no PSG.



É bom lembrar que as “neymarices” do camisa 10 do Paris não são recentes e sequer são poucas. Tudo o que ele quis acabava conseguindo; ou quando era contrariado preferia desistir ou mudar de “ares”.





Neymar queria ir para o Barcelona? Sim, mas com o interesse do Real Madrid seu stafe (leia-se, seu pai) preferiu que houvesse uma espécie de bônus para que desse preferência ao time da Catalunha. Isso criou um escândalo quando foi descoberto, principalmente porque o Santos FC se sentiu lesado nessa história toda.



Neymar queria jogar sempre e detestava ser substituído por Luiz Henrique no Barça? Sim e, apesar de ser apenas uma medida para preservar seus jogadores de um desgaste pela temporada longa, o golden boy dos brazucas conseguiu que isso parasse.



Neymar gostava de desrespeitar seus adversários com firulas? Sim, mesmo sabendo que muitas vezes eram desnecessárias e tidas como provocativas. Isso permaneceu durante sua passagem pelo Barcelona, e ele colecionou desafetos e antipatia de torcedores e jogadores adversários.



Neymar optava sempre pela tática do “cai cai”? Claro, apesar dos árbitros começarem a ignorar suas ações ou até o punindo com cartão pela simulação.



Neymar queria ser o melhor do mundo? Claro que sim, e ainda o quer. Mas em sua mente não muito privilegiada essa conquista passava necessariamente por se afastar de Lionel Messi. Para isso ele foi em busca de um time pra chamar de seu.



Neymar exigiu a camisa 10 no PSG? Evidente, mas sua desfaçatez fez com que isso parecesse uma atitude do próprio Pastore (antigo detentor da 10). Como se o jogador argentino tivesse opção a não ser entregar a camisa a Neymar.



Neymar queria ser o batedor oficial de pênaltis e faltas pelo time francês? Óbvio, mas em vez de decidir isso de maneira reservada, fez seu showzinho particular na frente de milhares de pessoas no estádio (e milhões de teles espectadores mundo afora), tendo como fiel escudeiro Daniel Alves em um de seus momentos mais deploráveis, agindo como capanga particular do amigo.

Neymar treina e joga quando quer? Sem dúvida, e isso foi cantado pelos jornais da França, mostrando o quão irresponsável isso é, já que causa ciúmes no elenco e uma cisão maior ainda, desde sua chegada da Espanha.



Neymar consegue folgas a mais do que seus colegas? Sim, e isso só piora o já deteriorado ambiente no vestiário.



Neymar decide quando Cavani pode fazer seu gol que o levaria a artilharia máxima na história do clube? Com certeza, mesmo já tendo marcado 3 gols naquele jogo, ele detestou que a torcida começou a apupar sua ação egoísta e desagradável.



Neymar comemora seus gols com o torcedor? Depende. Se ele está de bom humor, sim; se ouve vaias ou se houver críticas a ele, despreza os que pagam (e caro) o ingresso,



Neymar gosta de liderar? Não, desde a Neymar dependência na era Dunga, o brasileiro odeia isso, pois as cobranças são intrínsecas. “Mas ele já decidiu jogos pelo Barça”. Sim, quando isso não era esperado e, portanto ele não seria o cara a ser cobrado por um eventual fracasso.





Neymar aceita críticas? De jeito algum. Nada do que ele faz pode ser contestado ou questionado, pois seu cão de guarda particular (seu pai) sia em defesa do rebento de maneira mais esdrúxula possível. Neto e Casagrande que o digam.



Neymar é mimado? Sem sombra de dúvida; e pra provar isso, quando foi criticado pelo comentarista da Globo, quem saiu em defesa foi o progenitor. Nada diz mais “sou um menino mimadinho” do que o pai tomar as dores do filhinho.



Neymar está pronto para ser o melhor do mundo? Claramente não. Melhor significa que sua temporada foi a melhor da que teve sua concorrência, que é jogador o suficiente para encarar críticas e cobranças com naturalidade e respondê-las em campo e liderar quando for necessário. Além de não ser desagregador, nem pensar apenas no “eu”, e sim no coletivo. E, analisando sua última temporada, Neymar Jr está muito aquém de uma conquista desse porte.



Claro que um eventual título na Liga dos Campeões e a conquista da Copa o farão ser o favorito na casa de apostas. Mas ainda assim só reforçará que suas atitudes de menino (ele tem 26 anos e já é pai) serão recompensadas. E seu complexo de “Peter Pan” (o garoto que não queria crescer) ficará mais aflorado ainda.