domingo, 3 de junho de 2018

Tite e a ausência de crítica da imprensa







A chamada “era Dunga” foi permeada por alguns resultados adversos e uma excessiva “Neymardependência”. Além de um futebol pragmático que pouco inspirava os torcedores. Mas apesar disso, ainda teve seus momentos. Poucos, mas teve. O que não vimos foi a crônica esportiva aliviar para o então técnico da seleção brasileira. As vezes até uma certa má vontade com relação a seu trabalho. O que é exatamente o oposto do que acontece agora com Tite.




Tite se destacou no cenário do futebol com seu trabalho a gente do Corinthians. Ironicamente chamado muitas vezes de “empatite”, pelos resultados magros, ou empates conquistados de maneira sofrida. Mas sem dúvida foi um projeto vitorioso ao longo do tempo. E em contrapartida a Dunga, o atual treinador é um estudioso e procura evoluir na carreira. Seu antecessor se contentava com a vitória como jogador na Copa do Mundo de 1994. Pouco para quem precisa ter um repertório maior em momentos de provação.


Mas Tite não é o melhor técnico do mundo. Longe disso. Apenas soube como montar uma equipe competitiva em um momento turbulento do escrete canarinho. Classificou a seleção para o mundial da Rússia com algumas rodadas de antecedência. Mas alguns nomes de suas convocações são a prova que ele é um homem de hábitos. Prefere o “prato do dia”, invés de inovar. Ausência de nomes como Luan e Arthur do Grêmio foi muito questionada na convocação final. Mas insistiu com Thiago Silva, chamou várias vezes Fred, que era do Shakhtar Donetsk (Ucrânia) mas graças as convocações conseguiu uma transferência para o Manchester United e está levando o mediano Taison do mesmo time ucraniano. E na imprensa paira uma espécie de “sim, mestre”. Mas a discrepância no tratamento dispensado ao atual e o ex treinador à frente do time nacional, pela imprensa, não fica por aí.


Muitas vezes Dunga jogava pelo resultado. Ele fechava o time e as duras penas conseguia um bom resultado. Era sumariamente criticado pelos jornalistas esportivos. Um futebol de resultados que ora ou outra foi eficiente. Mas Tite parece gozar das benesses de ser uma 'quase' unanimidade. No amistoso contra a Croácia, com vitória por 2x0, o treinador brasileiro entrou em campo com 3 voltantes: Casemiro, Fernandinho e Paulinho. Paulinho até avança mais e chega à área adversária, mas não deixa de ser um volante em sua posição de origem. Alguém da crônica esportiva se dignificou a tratar do assunto? 'É, mas ganhamos o jogo', diria o mais incauto. Bom, Dunga ocasionalmente ganhava algumas partidas, e da mesma maneira conservadora que a atual técnico do Brasil. E pelas redações Brasil afora sobravam só críticas. O velho caso de “dois pesos e duas medidas”.


Dunga sempre foi arisco em suas entrevistas coletivas. Por vezes até ríspido. Tite, como disse brilhantemente o ex jogador do São Paulo, o uruguaio Lugano, é um “encantador de serpentes”. Diz o que as pessoas querem ouvir, não se envolve em polêmicas, é incapaz de mandar uma resposta enviesada para seu interlocutor e sempre mantém seu mesmo tom de voz, quase hipnótico durante a interação. Os poucos críticos que ele tem na imprensa esportiva são logo criticados por colegas de profissão que não admitem uma oposição ao atual técnico da seleção. Isso é perigoso. Jornalistas deveriam ser críticos, imparciais e investigativos. O fato de Tite ter “arrumado a bagunça” que era o time brasileiro não o torna um guru, um revolucionário do futebol. Ele é apenas alguém que classificou a seleção para mais uma Copa e que chega com status de favorita. Exatamente o que todos os outros treinadores fizeram antes dele.


Se é pra haver esse estado de alienação e letargia da crônica esportiva, abdicando do senso crítico, seria bom que entregassem seus crachás na redação onde trabalham e se tornem de vez o que mais gostam: porta-vozes de Tite.




quinta-feira, 31 de maio de 2018

Entre Pelé e Maradona, escolha Maradona





O maior embate da história do futebol: quem foi melhor Pelé ou Maradona?


Os brasileiros certamente (em sua grande maioria) escolhem o ex atleta do Santos; os argentinos ficam com El Pibe de Oro. Mas em uma análise imparcial, quem se sobressai? 





Se o quesito for números, talvez a escolha mais óbvia seja Edson Arantes do Nascimento. Três Copas, mais de 700 gols em sua carreira, artilheiro pelas competições que disputava. Já Diego venceu apenas um torneio mundial, tem cerca de 500 gols marcados e foi artilheiro poucas vezes dos torneios que disputava, entre eles o campeonato italiano. Mas isso define quem foi o melhor em TODOS os quesitos? Talvez não.


Desde seu início, Diego Armando Maradona foi um obstinado. Queria jogar pelo Boca Juniors (o time do povo), por sua seleção e ser campeão por ambos. Os reveses que sofreu apenas o deixou mais determinado. O corte às vésperas da Copa de 1978 em sua própria casa foi um duro golpe, ainda mais se levarmos em conta que teria sido motivado por uma exigência do presidente argentino, à época, que era torcedor do River. Mal comparando, era como a imposição do exército brasileiro para que Zagallo levasse Dadá Maravilha para a Copa do Mundo de 70. Maradona era uma jovem promessa que já sabia de seu valor e, ao ver a conquista pela seleção comandada por César Menotti, sua mágoa só aumentou. Em 1982 ele teve uma atuação abaixo da média, e sua expulsão na partida contra o Brasil apenas fez com que a opinião pública se voltasse contra ele.


Em 1986, no México, sua redenção. Atuação de gala, título, gol de mão e eleito como o melhor do mundo. Mas também já florescia seu lado contestador. Uma veia que Pelé nunca teve. 



Ser combativo como foi o atleta argentino, tem um preço: ficar no radar da entidade máxima do futebol. Havelange se tornou um inimigo declarado e, com certeza, o mais poderoso. Isso ficou claro na final da Copa da Itália, entre Argentina e Alemanha, onde um pênalti inexistente deu o título aos alemães. Se não é possível afirmar categoricamente a manipulação do resultado, pode-se dizer que essas coincidências estavam se tornando rotineiras, quando o argentino estava em campo. E o ápice disso foi em 1994 nos EUA.


Com calendário feito para facilitar as emissoras de TV, as equipes tiveram que atuar sob o sol escaldante do meio dia, da Califórnia. Houve relatos de jogadores que tiveram sérios problemas, como sangue na urina, desmaios e pressão baixa. Um dos únicos a protestar ferrenhamente contra tamanho disparate, foi Maradona. Sua liderança inconteste, serviu para motivar que outros também se rebelassem. Apesar de chamar a atenção para o problema, as vozes dissonantes foram poucas. Como prêmio, o argentino foi “sorteado” para o antidoping, após a partida contra a Grécia. Ele foi escoltado desde o campo até o vestiário por uma enfermeira. Fato, até hoje, inédito na história do futebol. O resultado já era o esperado, assim como seu banimento da competição e do futebol; o clássico “rir por último” de Havelange e cia. 



Isso não arrefeceu seu temperamento. Continuou contestando e protestando contra as mazelas do futebol. Chegou a criar uma espécie de associação internacional de atletas, entre eles Raí e Éric Cantona, para dar maior visibilidade às reivindicações. E o que fez Pelé todo esse tempo?


O tão propalado “atleta do século” não foi à Copa de 1974. Há alguns anos, ele explicou que sua recusa era um protesto contra o regime militar. E aí começa o engodo. Pelé nunca se manifestou contra a ditadura militar. Não ir ao torneio foi para evitar ser cobrado por um eventual fracasso da equipe brasileira. Lembrando que suas conquistas sempre foram brilhantes, mas coletivas. Em 1958, ele foi uma grata surpresa em um time capitaneado por Didi e Vavá. Em1962, sua contusão o tirou do torneio, mas lá estava Garrincha, em uma atuação memorável, para suprir a falta do “rei do futebol”. E no México, em 70, atuou apenas e tão somente ao lado de outros gênios, também detentores da camisa 10 em seus respectivos times: Jairzinho (Botafogo), Gérson (São Paulo), Tostão (Cruzeiro) e Rivellino (Corinthians).


Em toda sua vida, Edson Arantes do Nascimento nunca sequer se pronunciou contra o racismo no Brasil. E isso é citado por outros esportistas ao redor do mundo. Samuel Eto'o, ex Barcelona, é um deles. Tampouco se indispôs contra o sistema. Preferia compor com CBF e demais cartolas da Fifa. Gostava de ser afagado e reverenciado, invés de protestar contra o establishment do futebol. Queria e precisava das comendas e premiações ao redor do mundo, alegando que o atleta tem que ser reconhecido em vida, mas sabidamente cacifando sobre sua fama mundial. Nunca se preocupou com os que viviam em situação periclitante nas divisões brasileiras de futebol. Alguns jogadores em situação de miséria, com meses de salários atrasados, em clubes sem infraestrutura digna. Não poderia o “rei” fazer algo por seus 'súditos'? Questionar as condições sub-humanas em que muitos atuavam? Gramados, vestiários...Por que não criticar as federações Brasil afora ou unir a categoria de atletas? Até mesmo a emissora que comanda os campeonatos e a seleção com mão de ferro nunca recebeu uma crítica sequer. Nenhuma palavra. Desde que seus investimentos e empresas estivessem indo de vento em popa, tudo bem. Sua defesa da realização da Copa do Mundo no Brasil, recriminando os que criticavam o evento e suas inúmeras obras faturadas foi a pá de cal em sua biografia. 

   Se como a “marca fantasia” Pelé ele encantou o mundo, como cidadão Edson ele foi de uma decepção atroz. E há os que o defendam ferrenhamente. E fustigam Don Diego por seus vícios, que eram deploráveis, com certeza. Mas não há registro de que Maradona tenha se recusado a assumir uma filha fora de um matrimônio. Pelé só reconheceu Sandra Regina após o STF (última instância do judiciário brasileiro) determinar que assim fosse. Ele a renegou durante toda sua vida, inclusive quando a mesma faleceu, vítima de câncer. 



Pelé e Maradona estão em um panteão dos deuses do futebol, inatingíveis. Serão lembrados por suas conquistas e seu futebol raro. Afortunados os que viram ambos jogarem. Mas excetuando-se a frieza dos números, talvez Maradona leve uma certa vantagem sobre Pelé. O brasileiro quis encantar o mundo dentro de campo; o outro, também quis um mundo melhor fora dele.










quarta-feira, 30 de maio de 2018

Thiago Silva e a incapacidade de ser um líder







   Copa de 2014, no Brasil. Nas oitavas de final a seleção brasileira enfrentava a surpreendente equipe chilena. Jogo difícil, onde Jorge Sampaoli conseguiu incomodar o time dirigido por Felipão, apesar de sair perdendo. O trio formado por Vidal, Sanchez e Vargas deu trabalho ao escrete canarinho, especialmente pelo lado esquerdo da defesa. Após conseguir a igualdade no placar, o Chile conseguiu se impor e quase na “bacia das almas” mandou uma bola na trave que poderia ter eliminado precocemente a seleção dona da casa.

  Antes da cobrança de pênaltis, um fato inusitado: o capitão do Brasil, Thiago Silva senta na bola, começa a chorar e diz ao técnico que não quer cobrar. Após as escolhas dos batedores, o elenco se reúne e Paulinho toma as rédeas da situação e incentiva o grupo em um momento difícil. Exatamente o que um verdadeiro líder faz. Só para se ter uma ideia, durante a Copa de 1970, o capitão era Carlos Alberto Torres, mas muitas vezes, especialmente em campo, percebe-se também a liderança de Gérson, quando este percebia alguma dificuldade durante uma partida. Um líder nato. O descontrole emocional de Thiago Silva apenas denota suas fragilidades como um pretenso líder. Culpa maior de quem o escolheu para tal função. Talvez pela liderança técnica, já que é um bom jogador. Mas nada além disso. 

 
  Ele se orgulha em dizer que é capitão do PSG já há alguns anos. Mas há uma diferença clara aqui. O time é grande na França, porém pequeno em âmbito europeu. E em muitas ocasiões durante a Liga dos Campeões, fez falta uma liderança nata para ajudar o time em momentos complicados, o que explica também as constantes eliminações em fases precoces na maior competição de clubes da Europa.

   Agora, de volta a uma Copa do Mundo, Thiago continua assombrado por suas falhas graves e prejudicado por sua falta de autocrítica. Insiste em não admitir suas deficiências, procura desviar o foco para problemas extracampo e se vende como um jogador pronto para ser titular e eventualmente um capitão, se Tite precisar.  Isso denota desrespeito com seus colegas Marquinhos e Miranda, que já formam a dupla titular há mais tempo e a Tite, pois sua frase é quase uma intimação. Mas na França. Ele já corre o risco de perder a titularidade, já que o novo treinador Thomasa Tuchel tem preferência por jogadores mais novos e promissores. E Thiago não se encaixa em nenhum dos quesitos, já que Kimpembe seria a aposta mais natural para a zaga.

   Se a recusa de Thiago para cobrar uma penalidade foi por traumas vividos em seu time, o cenário fica pior ainda para ele. Se é por incapacidade de reagir em momento de crise, pior para um time que precisa de para-raios durante um temporal. De qualquer forma, o zagueiro brasileiro não merece a titularidade, e sequer a faixa de capitão. Para a primeira opção para substituir um dos zagueiros, Tite tem Geromel, que além de ótimo zagueiro, é experiente e líder nato. E para capitão, o treinado brasileiro tem, pelo menos, outras 22 opções melhores que Thiago Silva.






segunda-feira, 28 de maio de 2018

Cristiano Ronaldo e o “efeito Neymar”







   Ao ganhar mais um título da Liga dos Campeões, Cristiano Ronaldo acabou ofuscando a conquista de todo o elenco ao dizer em entrevista no fim do jogo que “foi bonito jogar no Real”. Evidentemente as especulações começaram e as redes sociais repercutiram mais essa frase do que o título em si. Mas ele está mesmo de saída? O mais provável é que não.

   Além de uma multa rescisória que beira quase um bilhão de reais, CR7 tem ainda 3 anos de contrato com a equipe merengue e, pra piorar, pouco mercado para um atleta com 33 anos e, portanto com apenas mais dois de vida útil no futebol. Isso porque apenas os times de Manchester teriam condições de bancar sua multa, mas o City não tem interesse e o United poderia comprometer seu fair play financeiro com tamanha empreitada. Sobra ainda o PSG, mas Cristiano ainda tem ambições pessoais como títulos e o time francês oferece muito pouca competitividade por ora, para alguém acostumado a brigar pela Champions e, conseguinte, a Bola de Ouro.

   Mas qual a relevância da frase do português? Simples. Neymar.


    Cotado para ser seu companheiro de ataque na próxima temporada, Neymar Jr é um dos atletas mais badalados de mundo e talvez o único que consegue ser mais midiático do que o próprio atacante do Real. E para piorar, seu salário anual gira em torno de 35 milhões de euros. CR7 segue o teto imposto por Florentino Perez, que é de 23 milhões. Lembrando que Lionel Messi também tem a mesma faixa salarial do brasileiro. Isso só piora as coisas, do ponto de vista de Cristiano.

   Há ainda um fator que está em pauta aqui: o craque da seleção portuguesa não esqueceu que, durante seu problema com o fisco na Espanha, o Real Madrid não o amparou como esperava. O caso é grave e tem uma multa de quase 15 milhões de euros, ou prisão. Lógico que, lá como cá, isso não acontece. Mas é uma derrota nos tribunais que CR7 não esperava, ao menos não de maneira acachapante.

   Se Neymar for realmente contratado pelo atual campeão da Liga dos Campeões, será uma jogada de mestre de sua diretoria e, creio que o brasileiro seria bem recebido por lá, incluindo pelo jogador português que é destaque do time há anos. Mas a ciumeira salarial teria que ser resolvida de maneira rápida para não respingar na boa fase que vive o time merengue em âmbito europeu. Até pelo fato de Neymar ser, sabidamente, um desagregador em vestiários. Bater de frente ou parecer ter mais privilégios do que a prima donna de Madrid seria ruim para todas as partes envolvidas.






sexta-feira, 25 de maio de 2018

O desânimo do brasileiro com a Copa não é só pela economia




   O cenário sempre foi o mesmo: faltando dois meses para a Copa do Mundo, muitos brasileiros começam a decorar suas ruas com as cores da bandeira. Tinta, bandeirinhas, além de ostentarem com orgulho a camisa do escrete canarinho. Independente do resultado, no mundial seguinte lá estavam novamente os moradores planejando novos enfeites e desenhos. Mas não dessa vez.

   Alguns "pachecos" da crônica esportiva preferem colocar a culpa na crise econômica. Essa esperteza apenas mascara os reais motivos da decepção do torcedor: não apenas o vergonhoso 7x1 frente a Alemanha, em 2014, mas acima de tudo os gravíssimos escândalos que acometem a CBF.



   O resultado acachapante que os alemães construíram naquele fatídico dia 08 de julho, foi uma ducha de água fria para o torcedor da amarelinha. Mas as investigações tanto do FBI, quanto do Departamento de Justiça dos EUA trouxe uma grande decepção, maior até do que o descrédito que a seleção brasileira enfrentou na goleada de 7x1. A Confederação, por sua vez, perdeu vários de seus patrocinadores e, conseguinte oseu lucro caiu; viu seus ex presidentes (José Maria Marin, Ricardo Teixeira) e o "atual" Marco Pollo del Nero terem suas prisões decretadas. Marin já colabora com a justiça americana, e os demais são medrosos o suficiente para saírem do Brasil e correrem o risco de uma deportação direta para o Tio Sam. Em um cenário como esse, como esperar que os brasileiros, geralmente tão eufóricos nessa época, caiam naquele ufanismo de praxe?

   Até a emissora oficial, que faz de tudo para que as coisas continuem no "mais do mesmo", preferiu adotar um tom mais crítico com seus antigos parceiros comerciais. Nunca a CBF teve uma cobertura tão intensa de seus escândalos, como no pós Copa. 

   Em um cenário como esse, como esperar que haja o mesmo engajamento  de outrora? Claro que quando a bola rolar, muitos estarão em frente à TV para acompanhar as partidas; mas sem a mesma paixão de antes. Afinal, o fantasma do 7x1 ainda assombra os torcedores.





quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Pelé e Neymar




  Qual é o legado de Pelé e qual será o de Neymar?

 Pelé, atleta do século XX (apesar de muitos europeus discordarem, preferindo Puskás ou Di Stéfano), símbolo do futebol brasileiro na melhor época do nosso esporte bretão. Neymar ainda busca construir sua trajetória, que tem tudo para ser vitoriosa, ainda que apressando as coisas. Mas em comum eles têm algo não muito positivo: não se importam com mais nada, além de si mesmos.

  Com o renome que tem, pense na contribuição que Pelé traria ao futebol. Alguma vez ele se manifestou ou tomou lado de causas nobres? Nunca. Não é do seu feitio. Ao contrário, ele compôs com o sistema em inúmeras oportunidades, chegando a fazer negócios com a CBF.
  Poderia ter protestado contra o racismo ou contra a ditadura. Afinal, ele seria ouvido e suas palavras teriam eco na sociedade. Nunca o fez. Poderia ter se manifestado contra a realização da Copa no Brasil. Mas não. Nem vou entrar no mérito familiar, pois o que ele fez com sua falecida filha foi execrável.



  O que ele deixa são suas jogadas maravilhosas, os negócios lucrativos envolvido seu nome e só.

   Neymar segue a mesma toada. Nunca criticou os desmandos do futebol brasileiro, nem quando jogava aqui. Não se preocupa com as condições adversas que seus companheiros enfrentam por estas bandas nem dá a mínima para a corrupção a céu aberto na CBF. Também nunca manifestou apoio ao Bom Senso, movimento de alguns jogadores (e ex também) por melhorias nas condições do esporte mais popular do Brasil.



  Seu legado será de jogadas maravilhosas, de negócios extremamente lucrativos envolvendo seu nome e só.

Muito pouco para esportistas que ultrapassam as fronteiras do futebol.



quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Os Fortes Concorrentes a Melhor do Mundo





  Há cerca de duas temporadas que se coloca Neymar como postulante a melhor do mundo quando Messi e Cristiano Ronaldo entrarem em declínio. Mas talvez estes mesmos 'analistas' estejam convenientemente se esquecendo dos demais grandes jogadores pela Europa afora.

É claro que, em se tratando da crônica esportiva brasileira, pouco há de objetividade. Salvo as exceções de praxe. E no que tange ao "menino Ney" pouco se vê de imparcialidade pelas redações daqui. E isso é ruim, pois se ignora muita gente boa de bola que não seja o 'golden boy' do PSG.



 Veja os exemplos de Hazard e De Bruyne. Fazem parte da elogiada geração belga e são destaques de seus respectivos times na Premier League: no Chelsea e no Mánchester City. São os mais talentosos, mais criativos e os que dão ritmo aos jogos. Continuando desse jeito e na Copa da Rússia podem fazer da Bélgica uma grata surpresa no torneio.



     Da França temos Mbappé e Dembélé. O atacante do Paris Saint-Germain apesar  de muito jovem já demonstra bastante potencial, muitas vezes sendo ele o mais decisivo  nas partidas no campeonato francês. Além da humildade e profissionalismo que demonstra. Dembélé é uma jovem promessa que, assim que vencer os problemas com contusões terá muito a acrescentar ao Barcelona. Quando ambos se estabelecerem na seleção francesa, a ascensão será inevitável.



  Philipe Coutinho que já é uma realidade, só tende a evoluir no Barça. Assim como Sallah, que atua no Liverpool pode surpreender muita gente se continuar no ritmo que vai.



  Mas Neymar deveria se preocupar mesmo é com Gabriel Jesus. Seu desempenho é excelente no City, com um aproveitamento acima da média. Quando se firmar titular, só tem a crescer, ainda mais com um treinador como Guardiola.



  Nada disso valerá enquanto  Messi e CR7 continuarem a jogar como ainda estão jogando.

  Mas pelo rumo das coisas, o futebol arte estará bem representado quando ambos pararem.




terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Adriano e a dificuldade de se dizer adeus




  Adriano, o Imperador,  talvez tenha sido quem mais se aproximou da importância e do talento do Ronaldo Fenômeno. Presença na área, belos dribles, chute forte, explosão... Tudo que o ex atleta do Real Madrid tinha de sobra. Mas resolveu sabotar a própria carreira. Mesmo reinado absoluto na Inter de Milão. Talvez as más companhias, o pouco preparo para as exigências do futebol profissional, ou até por estar farto da rotina. Fato é que ele deixou o futebol quando ainda podia contribuir muito. Quase igual o que aconteceu a Ronaldinho Gaúcho.



 Quando participou de um jogo beneficente no fim de ano criou-se uma comoção muito grande sobre um possível retorno.

  Quão desesperado está o torcedor brasileiro por ter de volta um ídolo de um passado recente, que hoje não tem mais condições físicas e técnicas para atuar em jogos oficiais? Qual o tamanho do vazio no coração do rubro-negro? Adriano é o retrato do jogador que tinha muito talento, mas excetuando-se  alguns momentos pontuais (incluindo aí a seleção) a revelação do Flamengo sempre agiu contra si mesmo. Sua volta seria decepcionante, como foi sua passagem pelo Corinthians.  Talvez mais.



  Imperador chegou a fazer parte de uma geração fantástica, do qual ele seria um sucessor. Passaria o bastão e seria ídolo das multidões. Mas ele assim não o quis.

Adriano é mais um exemplo de como um jogador brasileiro pode ter tudo em suas mãos e não aproveitar. Já aconteceu antes e continuará depois. Mas para quem gosta de futebol arte, ele faz falta. 


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

NEYMAR E A SÍNDROME DE PETER PAN








Ser o principal jogador brasileiro dá a Neymar Jr uma sensação de querer é poder permanente. Desde seu início no Santos, no Barcelona, na Seleção Brasileira e, por último no PSG.



É bom lembrar que as “neymarices” do camisa 10 do Paris não são recentes e sequer são poucas. Tudo o que ele quis acabava conseguindo; ou quando era contrariado preferia desistir ou mudar de “ares”.





Neymar queria ir para o Barcelona? Sim, mas com o interesse do Real Madrid seu stafe (leia-se, seu pai) preferiu que houvesse uma espécie de bônus para que desse preferência ao time da Catalunha. Isso criou um escândalo quando foi descoberto, principalmente porque o Santos FC se sentiu lesado nessa história toda.



Neymar queria jogar sempre e detestava ser substituído por Luiz Henrique no Barça? Sim e, apesar de ser apenas uma medida para preservar seus jogadores de um desgaste pela temporada longa, o golden boy dos brazucas conseguiu que isso parasse.



Neymar gostava de desrespeitar seus adversários com firulas? Sim, mesmo sabendo que muitas vezes eram desnecessárias e tidas como provocativas. Isso permaneceu durante sua passagem pelo Barcelona, e ele colecionou desafetos e antipatia de torcedores e jogadores adversários.



Neymar optava sempre pela tática do “cai cai”? Claro, apesar dos árbitros começarem a ignorar suas ações ou até o punindo com cartão pela simulação.



Neymar queria ser o melhor do mundo? Claro que sim, e ainda o quer. Mas em sua mente não muito privilegiada essa conquista passava necessariamente por se afastar de Lionel Messi. Para isso ele foi em busca de um time pra chamar de seu.



Neymar exigiu a camisa 10 no PSG? Evidente, mas sua desfaçatez fez com que isso parecesse uma atitude do próprio Pastore (antigo detentor da 10). Como se o jogador argentino tivesse opção a não ser entregar a camisa a Neymar.



Neymar queria ser o batedor oficial de pênaltis e faltas pelo time francês? Óbvio, mas em vez de decidir isso de maneira reservada, fez seu showzinho particular na frente de milhares de pessoas no estádio (e milhões de teles espectadores mundo afora), tendo como fiel escudeiro Daniel Alves em um de seus momentos mais deploráveis, agindo como capanga particular do amigo.

Neymar treina e joga quando quer? Sem dúvida, e isso foi cantado pelos jornais da França, mostrando o quão irresponsável isso é, já que causa ciúmes no elenco e uma cisão maior ainda, desde sua chegada da Espanha.



Neymar consegue folgas a mais do que seus colegas? Sim, e isso só piora o já deteriorado ambiente no vestiário.



Neymar decide quando Cavani pode fazer seu gol que o levaria a artilharia máxima na história do clube? Com certeza, mesmo já tendo marcado 3 gols naquele jogo, ele detestou que a torcida começou a apupar sua ação egoísta e desagradável.



Neymar comemora seus gols com o torcedor? Depende. Se ele está de bom humor, sim; se ouve vaias ou se houver críticas a ele, despreza os que pagam (e caro) o ingresso,



Neymar gosta de liderar? Não, desde a Neymar dependência na era Dunga, o brasileiro odeia isso, pois as cobranças são intrínsecas. “Mas ele já decidiu jogos pelo Barça”. Sim, quando isso não era esperado e, portanto ele não seria o cara a ser cobrado por um eventual fracasso.





Neymar aceita críticas? De jeito algum. Nada do que ele faz pode ser contestado ou questionado, pois seu cão de guarda particular (seu pai) sia em defesa do rebento de maneira mais esdrúxula possível. Neto e Casagrande que o digam.



Neymar é mimado? Sem sombra de dúvida; e pra provar isso, quando foi criticado pelo comentarista da Globo, quem saiu em defesa foi o progenitor. Nada diz mais “sou um menino mimadinho” do que o pai tomar as dores do filhinho.



Neymar está pronto para ser o melhor do mundo? Claramente não. Melhor significa que sua temporada foi a melhor da que teve sua concorrência, que é jogador o suficiente para encarar críticas e cobranças com naturalidade e respondê-las em campo e liderar quando for necessário. Além de não ser desagregador, nem pensar apenas no “eu”, e sim no coletivo. E, analisando sua última temporada, Neymar Jr está muito aquém de uma conquista desse porte.



Claro que um eventual título na Liga dos Campeões e a conquista da Copa o farão ser o favorito na casa de apostas. Mas ainda assim só reforçará que suas atitudes de menino (ele tem 26 anos e já é pai) serão recompensadas. E seu complexo de “Peter Pan” (o garoto que não queria crescer) ficará mais aflorado ainda.











quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Premier League e Liga Espanhola



  A cada temporada acompanhamos um campeonato inglês mais forte, enquanto La Liga segue o seu caminho de sempre: Real  vs Barça e Barça vs Real. É algo manjado, mas que segue sendo a principal atração do cardápio. Mas até quando?

  A Premier League é o torneio mais caro do planeta. As cotas aos clubes polpudas. Tanto que no ranking dos 10 times mais ricos do mundo, 8 são ingleses. Barcelona em 13 e Real em 16 mostram quão diferentes as ligas estão hoje. E de quem é a culpa?



  Bom, os dois gigantes espanhóis não querer nem ouvir falar em 'melhor divisão de cotas' entre os demais times da primeira divisão. E isso só os prejudica. Com cotas melhores os clubes podem contratar melhor, se reforçar e tornar o campeonato mais equilibrado. Real e Barça não querem nada disso.

  Esse medo de perder relevância faz com que o torneio fique desigual. E qual a resposta do presidente da Liga espanhola para a inglesa? Começar o campeonato com maior clássico do mundo:  Barcelona e Real Madrid. E de que valeria se na sequência teríamos Leganes e Girona? Ou Real Betis e Espanyol?


  De nada adianta se o torneio é fraco. E quando  as estrelas CR7 e Messi pararem? Qual será o atrativo? A Liga colocava as fichas em Neymar, mas esse barco zarpou, ao menos por enquanto.

  A "Liga das Estrelas", como ficou conhecido o espanhol, perdeu o posto de principal torneio do mundo. É hora de lamber as feridas e olhar pro futuro. Como fizeram os responsáveis pela Premier League, quatro não eram os melhores. Ainda há tempo.




segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Paulinho e os "Pachecos" da mídia brasileira



  Contratação contestada por vários torcedores e jornalistas espanhóis, Paulinho vive hoje o revés da moeda. Mas alguns aqui no Brasil parecem fazer disso uma batalha naval.



  O volante brasileiro chegou após a conturbada saída de Neymar. Tudo conspirava contra: jogador caro, na casa dos 30 anos, vindo do futebol chinês e, acima de tudo, um estilo de jogo que não era semelhante ao jogado no Barcelona. Veja, clubes são empresas e, portanto diretoria deve satisfação aos acionistas. Isso significa que a saída do camisa 10 da seleção brasileira deveria ter uma resposta a altura. Paulinho não era essa resposta.

  Mas para surpresa de muitos, o volante preferido de Tite começou a se adaptar e a fazer gols. Também ajudou com assistências e boas performances. Hoje ele tem mais gols do que Cristiano Ronaldo. Mas o que deveria ser algo digno de admiração, virou motivo para certos "jornalistas" destilarem fel contra Deus e mundo. Com frases do tipo "Paulinho está calando a boca dos críticos" todo o amadorismo de 'profissionais' ultrapassados veio a tona.

  Era evidente que Paulinho tinha que ser contestado. Uma contratação cara, desnecessária, para uma posição em que não havia carência, era tudo o que o Barça menos precisava. Mas o erro de estratégia acabou funcionando. Se ele não é titular absoluto, ao menos entra ou começa quase todos os jogos, mostrando que já é homem de confiança do treinador.
  Se o volante fosse francês haveria tanto ranger de dentes por aqui? Não. Mas tomaram as dores do jogador sem ao menos usar a racionalidade. Esqueceram que faz parte da profissão de jornalista ser imparcial. Isso  é a síndrome de Pacheco, o mascote da seleção de '82. Naquela época funcionava bem esse patriotismo barato. Hoje soa decadente.

  Paulinho prova que o voto de confiança foi merecido. E só a ele cabe se manter em alto nível e jogando em um dos grandes da Europa. Se sua primeira passagem foi decepcionante (no Tottenham) agora ele tem mais uma oportunidade de atuar em alta intensidade, visando também a Copa da Rússia. E jogar entre os grandes faz toda a diferença.



sábado, 27 de janeiro de 2018

Gabigol e o retrato do jogador brasileiro


  Gabigol se destacou no Santos. Sua passagem bem sucedida pelo alvinegro praiano o levou à Seleção brasileira. Sua saída era questão de tempo.

  Ir para um grande clube, em uma liga importante da Europa é o sonho de qualquer jogador. E ter como endereço a Inter de Milão foi a sorte grande para ele. Ou não.



  Gabriel faz parte do extenso grupo de jogadores que se destacam em um time de expressão e decepciona. Talvez por ignorância ou por um  staff  que cerca o jogador de uma forma que o torna alienado, fato é que ao chegar em um grande clube europeu o choque de realidade atropela quem não está pronto para ser apresentado ao duro conceito da realidade.

  O ex santista chegou a entrar alguns minutos em determinadas partidas. Cabia a ele fazer valer seu talento. Não o fez. Em vez disso entrou em rota de colisão com o treinador da equipe. Resultado: emprestado ao Benfica. No clube português também reclamou da reserva e foi devolvido. O que faz todo jogador que fracassa em um grande da Europa? Aciona seu agente para retornar ao Brasil. É o "efeito Robinho". 
 
  Todos se lembram da revelação santista que, junto com Diego e Cia levaram o Brasileiro de 2002. E ao ser vendido disse de maneira presunçosa que estava indo para a Europa para ser o melhor do mundo. Passou pelo Real Madrid, Milan e Manchester City e nunca se firmou sequer como titular. Mas ainda assim conseguia voltar ao Brasil com status de craque e ganhando o mesmo salário que recebia em grandes das principais ligas. Mas isso não esconde o fracasso. Robinho nunca ficou próximo dos melhores, nem foi imprescindível (nem quando Luxemburgo dirigia os Galáticos). O mesmo aconteceu com Viola, acontece com Ganso, que ainda não vingou...E tantos outros atletas que acham que seu status nacional deve ser mantido automaticamente quando se transfere para um clube no exterior. Pra que serve os inúmeros empresários, assessores, aspones e cia na vida desses jogadores para explicar que as coisas não são dessa forma? Que ao se transferir, é um novo começo, que deve-se brigar por espaço, por respeito, por reconhecimento? Ou o cara nasce privilegiado como Neymar, ou tem que começar do zero em seu novo time. Gabigol é só mais um.



  Agora ele está de volta ao clube que o projetou. Por baixo, mas tentando parecer que foi sua escolha, não desespero de causa. Que ele tem talento, não se discute. Mas talvez ele não fosse tão bom quanto se pensava. Ou isso, ou deveriam ter comprado o pacote todo: Gabigol, Lucas Lima e Ricardo Oliveira. Ao menos juntos, ele funcionava muito bem.