quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Premier League e Liga Espanhola



  A cada temporada acompanhamos um campeonato inglês mais forte, enquanto La Liga segue o seu caminho de sempre: Real  vs Barça e Barça vs Real. É algo manjado, mas que segue sendo a principal atração do cardápio. Mas até quando?

  A Premier League é o torneio mais caro do planeta. As cotas aos clubes polpudas. Tanto que no ranking dos 10 times mais ricos do mundo, 8 são ingleses. Barcelona em 13 e Real em 16 mostram quão diferentes as ligas estão hoje. E de quem é a culpa?



  Bom, os dois gigantes espanhóis não querer nem ouvir falar em 'melhor divisão de cotas' entre os demais times da primeira divisão. E isso só os prejudica. Com cotas melhores os clubes podem contratar melhor, se reforçar e tornar o campeonato mais equilibrado. Real e Barça não querem nada disso.

  Esse medo de perder relevância faz com que o torneio fique desigual. E qual a resposta do presidente da Liga espanhola para a inglesa? Começar o campeonato com maior clássico do mundo:  Barcelona e Real Madrid. E de que valeria se na sequência teríamos Leganes e Girona? Ou Real Betis e Espanyol?


  De nada adianta se o torneio é fraco. E quando  as estrelas CR7 e Messi pararem? Qual será o atrativo? A Liga colocava as fichas em Neymar, mas esse barco zarpou, ao menos por enquanto.

  A "Liga das Estrelas", como ficou conhecido o espanhol, perdeu o posto de principal torneio do mundo. É hora de lamber as feridas e olhar pro futuro. Como fizeram os responsáveis pela Premier League, quatro não eram os melhores. Ainda há tempo.




segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Paulinho e os "Pachecos" da mídia brasileira



  Contratação contestada por vários torcedores e jornalistas espanhóis, Paulinho vive hoje o revés da moeda. Mas alguns aqui no Brasil parecem fazer disso uma batalha naval.



  O volante brasileiro chegou após a conturbada saída de Neymar. Tudo conspirava contra: jogador caro, na casa dos 30 anos, vindo do futebol chinês e, acima de tudo, um estilo de jogo que não era semelhante ao jogado no Barcelona. Veja, clubes são empresas e, portanto diretoria deve satisfação aos acionistas. Isso significa que a saída do camisa 10 da seleção brasileira deveria ter uma resposta a altura. Paulinho não era essa resposta.

  Mas para surpresa de muitos, o volante preferido de Tite começou a se adaptar e a fazer gols. Também ajudou com assistências e boas performances. Hoje ele tem mais gols do que Cristiano Ronaldo. Mas o que deveria ser algo digno de admiração, virou motivo para certos "jornalistas" destilarem fel contra Deus e mundo. Com frases do tipo "Paulinho está calando a boca dos críticos" todo o amadorismo de 'profissionais' ultrapassados veio a tona.

  Era evidente que Paulinho tinha que ser contestado. Uma contratação cara, desnecessária, para uma posição em que não havia carência, era tudo o que o Barça menos precisava. Mas o erro de estratégia acabou funcionando. Se ele não é titular absoluto, ao menos entra ou começa quase todos os jogos, mostrando que já é homem de confiança do treinador.
  Se o volante fosse francês haveria tanto ranger de dentes por aqui? Não. Mas tomaram as dores do jogador sem ao menos usar a racionalidade. Esqueceram que faz parte da profissão de jornalista ser imparcial. Isso  é a síndrome de Pacheco, o mascote da seleção de '82. Naquela época funcionava bem esse patriotismo barato. Hoje soa decadente.

  Paulinho prova que o voto de confiança foi merecido. E só a ele cabe se manter em alto nível e jogando em um dos grandes da Europa. Se sua primeira passagem foi decepcionante (no Tottenham) agora ele tem mais uma oportunidade de atuar em alta intensidade, visando também a Copa da Rússia. E jogar entre os grandes faz toda a diferença.



sábado, 27 de janeiro de 2018

Gabigol e o retrato do jogador brasileiro


  Gabigol se destacou no Santos. Sua passagem bem sucedida pelo alvinegro praiano o levou à Seleção brasileira. Sua saída era questão de tempo.

  Ir para um grande clube, em uma liga importante da Europa é o sonho de qualquer jogador. E ter como endereço a Inter de Milão foi a sorte grande para ele. Ou não.



  Gabriel faz parte do extenso grupo de jogadores que se destacam em um time de expressão e decepciona. Talvez por ignorância ou por um  staff  que cerca o jogador de uma forma que o torna alienado, fato é que ao chegar em um grande clube europeu o choque de realidade atropela quem não está pronto para ser apresentado ao duro conceito da realidade.

  O ex santista chegou a entrar alguns minutos em determinadas partidas. Cabia a ele fazer valer seu talento. Não o fez. Em vez disso entrou em rota de colisão com o treinador da equipe. Resultado: emprestado ao Benfica. No clube português também reclamou da reserva e foi devolvido. O que faz todo jogador que fracassa em um grande da Europa? Aciona seu agente para retornar ao Brasil. É o "efeito Robinho". 
 
  Todos se lembram da revelação santista que, junto com Diego e Cia levaram o Brasileiro de 2002. E ao ser vendido disse de maneira presunçosa que estava indo para a Europa para ser o melhor do mundo. Passou pelo Real Madrid, Milan e Manchester City e nunca se firmou sequer como titular. Mas ainda assim conseguia voltar ao Brasil com status de craque e ganhando o mesmo salário que recebia em grandes das principais ligas. Mas isso não esconde o fracasso. Robinho nunca ficou próximo dos melhores, nem foi imprescindível (nem quando Luxemburgo dirigia os Galáticos). O mesmo aconteceu com Viola, acontece com Ganso, que ainda não vingou...E tantos outros atletas que acham que seu status nacional deve ser mantido automaticamente quando se transfere para um clube no exterior. Pra que serve os inúmeros empresários, assessores, aspones e cia na vida desses jogadores para explicar que as coisas não são dessa forma? Que ao se transferir, é um novo começo, que deve-se brigar por espaço, por respeito, por reconhecimento? Ou o cara nasce privilegiado como Neymar, ou tem que começar do zero em seu novo time. Gabigol é só mais um.



  Agora ele está de volta ao clube que o projetou. Por baixo, mas tentando parecer que foi sua escolha, não desespero de causa. Que ele tem talento, não se discute. Mas talvez ele não fosse tão bom quanto se pensava. Ou isso, ou deveriam ter comprado o pacote todo: Gabigol, Lucas Lima e Ricardo Oliveira. Ao menos juntos, ele funcionava muito bem.


quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Coutinho e a Ingratidão do Liverpool



  Beira a ingratidão rasteira a reação dos torcedores do Liverpool à saída de Coutinho. Parte da imprensa chegou a comparar com o caso Neymar. Há uma enorme diferença aqui.

  Ele era uma jovem promessa do Vasco que saiu cedo para a Inter de Milão. Como todo clube grande faz com uma promessa, ele foi emprestado ao Espanyol. Disputar La Liga fez bem a ele. Ganhou rodagem, experiência. Voltou para a Inter com uma visão mais ampla do futebol. Foi um dos estrangeiros que mais se destacou. O time inglês estava de olho nele e acabou o contratando. Por muito pouco não foi campeão da Premier League e da Liga Europa. Mas tinha um sonho: jogar no Barcelona.



  Ao contrário de Neymar, Coutinho sempre foi correto com o time que lhe projetou. Ele se tornou um dos principais nomes do campeonato inglês. Apenas achou que seu ciclo tinha terminado e que poderia realizar seu sonho. Por mais  'romântico' que pareça é a realidade. Já jogava em um grande clube, já recebia um polpudo salário e era destaque da equipe onde atuava. Portanto, nada disso foi motivo para sair. Apenas jogar onde mais desejava. Chegou a abrir mão de sua parte da negociação para facilitar o negócio. 



  Portanto a comparação com Neymar é ofensiva. E a reação dos torcedores dos  Reds desproporcional. E Klopp segue mantendo o seu time competitivo e com muito dinheiro em caixa. Coutinho foi para onde queria e o Barça tem um grande jogador em seu elenco. Todos saem ganhando.



terça-feira, 23 de janeiro de 2018

O Velho Mourinho de Sempre



  José Mourinho conquistou seus títulos e fez seu nome
 com trabalho e talento. Todos os clubes por quais passou deixou sua marca e foi campeão. Por um certo momento até fez valer o apelido que ganhou: 'Special One'. É inegável que conhece muito de futebol. Mas também é fato que não vive seus melhores dias.


   Seus últimos trabalhos foram no Real, onde enfrentou um Barcelona que encantou e dominou o planeta bola, e no Chelsea, onde flertou com a zona do rebaixamento. Em ambos os casos saiu pela porta dos fundos.

  Na Liga Espanhola viu o predomínio do time catalão; tentou de vários jeitos derrotar o time de Pep Guardiola. Em vão. O jeito foi 'tacar fogo' no clássico pra ao menos nivelar as coisas. De novo, sem sucesso. Mas conseguiu azedar o clima na seleção da Espanha. E isso torna o técnico português indiretamente responsável pelo declínio da Fúria. Levou um tempo para que os atletas começassem a se entender novamente. Um preço caro demais...

  No Chelsea, conforme os resultados não vinham, Mourinho agia como Mourinho: culpava  a imprensa, os árbitros, os adversários e até seus próprios jogadores. É claro que ele seria rifado pelos seus comandados mais cedo ou mais tarde.


 Em mais uma passagem pela Premier League, dessa vez no glorioso Manchester United, o técnico português insiste nos mesmos erros pra justificar o futebol previsível que não encanta: culpa a imprensa,  arbitragem, o City ("porque gasta demais nas contratações") todos pelo futebol pragmático que apresenta. Enfim, velhos vícios.
 Ele só não culpa a si mesmo.

  Parte desse comportamento de criança mimada se deve a imprensa que o colocou em um pedestal, que disse ser ele o melhor. Seu ego fez o resto do serviço.
  José Mourinho nunca terá metade do talento de Guardiola, mas poderia se espelhar nele. Esse, o melhor de sua geração e um estudioso do futebol; nunca se cansa de aprender e, portanto de ensinar. É movido a desafios e consegue sempre evoluir. Mas para algo dessa grandeza acontecer o técnico português tem que primeiro admitir que está defasado, que pode e deve ser mais eficiente. Mas esse dia está longe de acontecer.


domingo, 21 de janeiro de 2018

O Moleque Neymar



  Neymar é um grande jogador. Pode se tornar o melhor do mundo (qdo Messi e CR7 se aposentarem); mas ele insiste em ser seu maior inimigo. 
  Não é de hoje  que o   brasileiro se envolve em polêmica. Mas enquanto jogava no Barcelona ele seguia, quase sempre, as regras. Mas seu ego (e seu pai) o convenceram que ter um time pra chamar de seu era o ideal.
  O Manchester City e o  PSG eram os possíveis destinos. Com Guardiola Ney sabia que não teria voz ativa; no time francês sim.
  Se sua vinda significaria status ao fraco campeonato nacional, também daria a Neymar uma equipe. Mas o Paris Saint-Germain não é um time qualquer, é uma empresa que pertence a um país: o Catar. O dinheiro de sua contratação veio direto do presidente do clube. E parte do acordo milionário é ter o camisa 10 da seleção brasileira como garoto propaganda da Copa de 2022, exatamente no Catar. 


  Talvez isso não passe pela cabeça do jogador, mas suas ações irresponsáveis são monitoradas de perto pelo xeque que controla tudo com mão de ferro. 
  Ao protagonizar o papelão contra Cavani ( querendo tirar do jogador uruguaio a primazia das cobranças, tendo junto Daniel Alves como parceiro de "crime"), Neymar Jr mostrou ao mundo seu cartão de visitas.


  E mais recentemente negar a cobrança de pênalti ao centroavante  da seleção do Uruguai que o tornaria o maior artilheiro história do PSG, foi o fundo do poço para o brasileiro. As vaias dos torcedores foram direcionadas ao camisa 10 do time, que saiu contrariado, com cara de poucos amigos. E acima de tudo, completamente errado no episódio.
  Há na mídia brasileira quem ainda o proteja, atenuando suas ações irresponsáveis, mas na Europa e, principalmente na França, cada dia mais as pessoas vêem o maior nome do campeonato, como realmente é.
  Em Paris, tanto fãs quanto jornalistas já conhecem o melhor e o pior de sua maior estrela. 


  Ney não gosta de ser cobrado, não aceita imposições, quer ser enaltecido e adorado como o são Messi e CR7. Mas o que o brasileiro talvez se esqueça é que os gigantes do futebol galgaram os degraus, passo  passo. Sem atropelos. Não queimaram etapas. Por isso são eles quem polarizam o futebol mundial na última década..
  Tite conseguiu tirar a Neymar-dependência da seleção. Também lhe  tirou o 'fardo' de ser o capitão. Resultado: sensível melhora do futebol apresentado pela escrete canarinho. Mas se  o maior jogador brazuca da atualidade jogar no time nacional com a mesma atitude que joga no PSG, a taça talvez fique para 2022.
  Neymar Jr é tratado por boa parte dos jornalistas brasileiros como um menino. Para quase tudo há desculpas, par cada desvio de conduta há atenuantes.  Nas coletivas de imprensa há um desperdício de energia e de tempo com perguntas fúteis e superficiais. Todos fazendo o jogo do craque. Mas aí é que reside o problema: ele não é um menino. É um adulto com quase 26 anos, que já é pai há alguns anos. Tratá-lo como um bebê só atrapalha sua evolução, como jogador e, acima de tudo como ser humano. 
  Pelo andar da carruagem, o 'menino Ney', como é chamado por um certo narrador esportivo, age muitas vezes como um moleque. E isso não é propositivo para nenhuma das partes envolvidas.