quinta-feira, 31 de maio de 2018

Entre Pelé e Maradona, escolha Maradona





O maior embate da história do futebol: quem foi melhor Pelé ou Maradona?


Os brasileiros certamente (em sua grande maioria) escolhem o ex atleta do Santos; os argentinos ficam com El Pibe de Oro. Mas em uma análise imparcial, quem se sobressai? 





Se o quesito for números, talvez a escolha mais óbvia seja Edson Arantes do Nascimento. Três Copas, mais de 700 gols em sua carreira, artilheiro pelas competições que disputava. Já Diego venceu apenas um torneio mundial, tem cerca de 500 gols marcados e foi artilheiro poucas vezes dos torneios que disputava, entre eles o campeonato italiano. Mas isso define quem foi o melhor em TODOS os quesitos? Talvez não.


Desde seu início, Diego Armando Maradona foi um obstinado. Queria jogar pelo Boca Juniors (o time do povo), por sua seleção e ser campeão por ambos. Os reveses que sofreu apenas o deixou mais determinado. O corte às vésperas da Copa de 1978 em sua própria casa foi um duro golpe, ainda mais se levarmos em conta que teria sido motivado por uma exigência do presidente argentino, à época, que era torcedor do River. Mal comparando, era como a imposição do exército brasileiro para que Zagallo levasse Dadá Maravilha para a Copa do Mundo de 70. Maradona era uma jovem promessa que já sabia de seu valor e, ao ver a conquista pela seleção comandada por César Menotti, sua mágoa só aumentou. Em 1982 ele teve uma atuação abaixo da média, e sua expulsão na partida contra o Brasil apenas fez com que a opinião pública se voltasse contra ele.


Em 1986, no México, sua redenção. Atuação de gala, título, gol de mão e eleito como o melhor do mundo. Mas também já florescia seu lado contestador. Uma veia que Pelé nunca teve. 



Ser combativo como foi o atleta argentino, tem um preço: ficar no radar da entidade máxima do futebol. Havelange se tornou um inimigo declarado e, com certeza, o mais poderoso. Isso ficou claro na final da Copa da Itália, entre Argentina e Alemanha, onde um pênalti inexistente deu o título aos alemães. Se não é possível afirmar categoricamente a manipulação do resultado, pode-se dizer que essas coincidências estavam se tornando rotineiras, quando o argentino estava em campo. E o ápice disso foi em 1994 nos EUA.


Com calendário feito para facilitar as emissoras de TV, as equipes tiveram que atuar sob o sol escaldante do meio dia, da Califórnia. Houve relatos de jogadores que tiveram sérios problemas, como sangue na urina, desmaios e pressão baixa. Um dos únicos a protestar ferrenhamente contra tamanho disparate, foi Maradona. Sua liderança inconteste, serviu para motivar que outros também se rebelassem. Apesar de chamar a atenção para o problema, as vozes dissonantes foram poucas. Como prêmio, o argentino foi “sorteado” para o antidoping, após a partida contra a Grécia. Ele foi escoltado desde o campo até o vestiário por uma enfermeira. Fato, até hoje, inédito na história do futebol. O resultado já era o esperado, assim como seu banimento da competição e do futebol; o clássico “rir por último” de Havelange e cia. 



Isso não arrefeceu seu temperamento. Continuou contestando e protestando contra as mazelas do futebol. Chegou a criar uma espécie de associação internacional de atletas, entre eles Raí e Éric Cantona, para dar maior visibilidade às reivindicações. E o que fez Pelé todo esse tempo?


O tão propalado “atleta do século” não foi à Copa de 1974. Há alguns anos, ele explicou que sua recusa era um protesto contra o regime militar. E aí começa o engodo. Pelé nunca se manifestou contra a ditadura militar. Não ir ao torneio foi para evitar ser cobrado por um eventual fracasso da equipe brasileira. Lembrando que suas conquistas sempre foram brilhantes, mas coletivas. Em 1958, ele foi uma grata surpresa em um time capitaneado por Didi e Vavá. Em1962, sua contusão o tirou do torneio, mas lá estava Garrincha, em uma atuação memorável, para suprir a falta do “rei do futebol”. E no México, em 70, atuou apenas e tão somente ao lado de outros gênios, também detentores da camisa 10 em seus respectivos times: Jairzinho (Botafogo), Gérson (São Paulo), Tostão (Cruzeiro) e Rivellino (Corinthians).


Em toda sua vida, Edson Arantes do Nascimento nunca sequer se pronunciou contra o racismo no Brasil. E isso é citado por outros esportistas ao redor do mundo. Samuel Eto'o, ex Barcelona, é um deles. Tampouco se indispôs contra o sistema. Preferia compor com CBF e demais cartolas da Fifa. Gostava de ser afagado e reverenciado, invés de protestar contra o establishment do futebol. Queria e precisava das comendas e premiações ao redor do mundo, alegando que o atleta tem que ser reconhecido em vida, mas sabidamente cacifando sobre sua fama mundial. Nunca se preocupou com os que viviam em situação periclitante nas divisões brasileiras de futebol. Alguns jogadores em situação de miséria, com meses de salários atrasados, em clubes sem infraestrutura digna. Não poderia o “rei” fazer algo por seus 'súditos'? Questionar as condições sub-humanas em que muitos atuavam? Gramados, vestiários...Por que não criticar as federações Brasil afora ou unir a categoria de atletas? Até mesmo a emissora que comanda os campeonatos e a seleção com mão de ferro nunca recebeu uma crítica sequer. Nenhuma palavra. Desde que seus investimentos e empresas estivessem indo de vento em popa, tudo bem. Sua defesa da realização da Copa do Mundo no Brasil, recriminando os que criticavam o evento e suas inúmeras obras faturadas foi a pá de cal em sua biografia. 

   Se como a “marca fantasia” Pelé ele encantou o mundo, como cidadão Edson ele foi de uma decepção atroz. E há os que o defendam ferrenhamente. E fustigam Don Diego por seus vícios, que eram deploráveis, com certeza. Mas não há registro de que Maradona tenha se recusado a assumir uma filha fora de um matrimônio. Pelé só reconheceu Sandra Regina após o STF (última instância do judiciário brasileiro) determinar que assim fosse. Ele a renegou durante toda sua vida, inclusive quando a mesma faleceu, vítima de câncer. 



Pelé e Maradona estão em um panteão dos deuses do futebol, inatingíveis. Serão lembrados por suas conquistas e seu futebol raro. Afortunados os que viram ambos jogarem. Mas excetuando-se a frieza dos números, talvez Maradona leve uma certa vantagem sobre Pelé. O brasileiro quis encantar o mundo dentro de campo; o outro, também quis um mundo melhor fora dele.










quarta-feira, 30 de maio de 2018

Thiago Silva e a incapacidade de ser um líder







   Copa de 2014, no Brasil. Nas oitavas de final a seleção brasileira enfrentava a surpreendente equipe chilena. Jogo difícil, onde Jorge Sampaoli conseguiu incomodar o time dirigido por Felipão, apesar de sair perdendo. O trio formado por Vidal, Sanchez e Vargas deu trabalho ao escrete canarinho, especialmente pelo lado esquerdo da defesa. Após conseguir a igualdade no placar, o Chile conseguiu se impor e quase na “bacia das almas” mandou uma bola na trave que poderia ter eliminado precocemente a seleção dona da casa.

  Antes da cobrança de pênaltis, um fato inusitado: o capitão do Brasil, Thiago Silva senta na bola, começa a chorar e diz ao técnico que não quer cobrar. Após as escolhas dos batedores, o elenco se reúne e Paulinho toma as rédeas da situação e incentiva o grupo em um momento difícil. Exatamente o que um verdadeiro líder faz. Só para se ter uma ideia, durante a Copa de 1970, o capitão era Carlos Alberto Torres, mas muitas vezes, especialmente em campo, percebe-se também a liderança de Gérson, quando este percebia alguma dificuldade durante uma partida. Um líder nato. O descontrole emocional de Thiago Silva apenas denota suas fragilidades como um pretenso líder. Culpa maior de quem o escolheu para tal função. Talvez pela liderança técnica, já que é um bom jogador. Mas nada além disso. 

 
  Ele se orgulha em dizer que é capitão do PSG já há alguns anos. Mas há uma diferença clara aqui. O time é grande na França, porém pequeno em âmbito europeu. E em muitas ocasiões durante a Liga dos Campeões, fez falta uma liderança nata para ajudar o time em momentos complicados, o que explica também as constantes eliminações em fases precoces na maior competição de clubes da Europa.

   Agora, de volta a uma Copa do Mundo, Thiago continua assombrado por suas falhas graves e prejudicado por sua falta de autocrítica. Insiste em não admitir suas deficiências, procura desviar o foco para problemas extracampo e se vende como um jogador pronto para ser titular e eventualmente um capitão, se Tite precisar.  Isso denota desrespeito com seus colegas Marquinhos e Miranda, que já formam a dupla titular há mais tempo e a Tite, pois sua frase é quase uma intimação. Mas na França. Ele já corre o risco de perder a titularidade, já que o novo treinador Thomasa Tuchel tem preferência por jogadores mais novos e promissores. E Thiago não se encaixa em nenhum dos quesitos, já que Kimpembe seria a aposta mais natural para a zaga.

   Se a recusa de Thiago para cobrar uma penalidade foi por traumas vividos em seu time, o cenário fica pior ainda para ele. Se é por incapacidade de reagir em momento de crise, pior para um time que precisa de para-raios durante um temporal. De qualquer forma, o zagueiro brasileiro não merece a titularidade, e sequer a faixa de capitão. Para a primeira opção para substituir um dos zagueiros, Tite tem Geromel, que além de ótimo zagueiro, é experiente e líder nato. E para capitão, o treinado brasileiro tem, pelo menos, outras 22 opções melhores que Thiago Silva.






segunda-feira, 28 de maio de 2018

Cristiano Ronaldo e o “efeito Neymar”







   Ao ganhar mais um título da Liga dos Campeões, Cristiano Ronaldo acabou ofuscando a conquista de todo o elenco ao dizer em entrevista no fim do jogo que “foi bonito jogar no Real”. Evidentemente as especulações começaram e as redes sociais repercutiram mais essa frase do que o título em si. Mas ele está mesmo de saída? O mais provável é que não.

   Além de uma multa rescisória que beira quase um bilhão de reais, CR7 tem ainda 3 anos de contrato com a equipe merengue e, pra piorar, pouco mercado para um atleta com 33 anos e, portanto com apenas mais dois de vida útil no futebol. Isso porque apenas os times de Manchester teriam condições de bancar sua multa, mas o City não tem interesse e o United poderia comprometer seu fair play financeiro com tamanha empreitada. Sobra ainda o PSG, mas Cristiano ainda tem ambições pessoais como títulos e o time francês oferece muito pouca competitividade por ora, para alguém acostumado a brigar pela Champions e, conseguinte, a Bola de Ouro.

   Mas qual a relevância da frase do português? Simples. Neymar.


    Cotado para ser seu companheiro de ataque na próxima temporada, Neymar Jr é um dos atletas mais badalados de mundo e talvez o único que consegue ser mais midiático do que o próprio atacante do Real. E para piorar, seu salário anual gira em torno de 35 milhões de euros. CR7 segue o teto imposto por Florentino Perez, que é de 23 milhões. Lembrando que Lionel Messi também tem a mesma faixa salarial do brasileiro. Isso só piora as coisas, do ponto de vista de Cristiano.

   Há ainda um fator que está em pauta aqui: o craque da seleção portuguesa não esqueceu que, durante seu problema com o fisco na Espanha, o Real Madrid não o amparou como esperava. O caso é grave e tem uma multa de quase 15 milhões de euros, ou prisão. Lógico que, lá como cá, isso não acontece. Mas é uma derrota nos tribunais que CR7 não esperava, ao menos não de maneira acachapante.

   Se Neymar for realmente contratado pelo atual campeão da Liga dos Campeões, será uma jogada de mestre de sua diretoria e, creio que o brasileiro seria bem recebido por lá, incluindo pelo jogador português que é destaque do time há anos. Mas a ciumeira salarial teria que ser resolvida de maneira rápida para não respingar na boa fase que vive o time merengue em âmbito europeu. Até pelo fato de Neymar ser, sabidamente, um desagregador em vestiários. Bater de frente ou parecer ter mais privilégios do que a prima donna de Madrid seria ruim para todas as partes envolvidas.






sexta-feira, 25 de maio de 2018

O desânimo do brasileiro com a Copa não é só pela economia




   O cenário sempre foi o mesmo: faltando dois meses para a Copa do Mundo, muitos brasileiros começam a decorar suas ruas com as cores da bandeira. Tinta, bandeirinhas, além de ostentarem com orgulho a camisa do escrete canarinho. Independente do resultado, no mundial seguinte lá estavam novamente os moradores planejando novos enfeites e desenhos. Mas não dessa vez.

   Alguns "pachecos" da crônica esportiva preferem colocar a culpa na crise econômica. Essa esperteza apenas mascara os reais motivos da decepção do torcedor: não apenas o vergonhoso 7x1 frente a Alemanha, em 2014, mas acima de tudo os gravíssimos escândalos que acometem a CBF.



   O resultado acachapante que os alemães construíram naquele fatídico dia 08 de julho, foi uma ducha de água fria para o torcedor da amarelinha. Mas as investigações tanto do FBI, quanto do Departamento de Justiça dos EUA trouxe uma grande decepção, maior até do que o descrédito que a seleção brasileira enfrentou na goleada de 7x1. A Confederação, por sua vez, perdeu vários de seus patrocinadores e, conseguinte oseu lucro caiu; viu seus ex presidentes (José Maria Marin, Ricardo Teixeira) e o "atual" Marco Pollo del Nero terem suas prisões decretadas. Marin já colabora com a justiça americana, e os demais são medrosos o suficiente para saírem do Brasil e correrem o risco de uma deportação direta para o Tio Sam. Em um cenário como esse, como esperar que os brasileiros, geralmente tão eufóricos nessa época, caiam naquele ufanismo de praxe?

   Até a emissora oficial, que faz de tudo para que as coisas continuem no "mais do mesmo", preferiu adotar um tom mais crítico com seus antigos parceiros comerciais. Nunca a CBF teve uma cobertura tão intensa de seus escândalos, como no pós Copa. 

   Em um cenário como esse, como esperar que haja o mesmo engajamento  de outrora? Claro que quando a bola rolar, muitos estarão em frente à TV para acompanhar as partidas; mas sem a mesma paixão de antes. Afinal, o fantasma do 7x1 ainda assombra os torcedores.