domingo, 29 de janeiro de 2017

A DIFÍCIL TEMPORADA DO BARCELONA





Contratações equivocadas, mudança de padrão tático, problemas no vestiário, contusões...A temporada 2016/2017 do FC Barcelona tem sido mais complicada do que se esperava.

O final de 2015/2016 já se podia vislumbrar que algo não estava tão bem assim para o time da Catalunha, que foi eliminado na Champions pelo Atlético de Madrid, em duas partidas em que suas principais estrelas decepcionaram. Mas ainda assim, abocanhou a Copa do Rei e a Liga.




As contratações no papel pareciam ser eficientes para ajudar no revezamento proposto por Luiz Henrique, para preservar seus principais jogadores. Mas na teoria, André Gomes, Cillenssen, Paco Alcácer, Denis Suarez e Digne não foram o que se esperava –e  pelo investimento, percebe-se que o clube errou e pagou caro demais pelas novas aquisições. A única exceção foi o zagueiro francês Umtiti.

O Barça também deixou de propor tanto o jogo, para esperar o adversário (que geralmente vem marca-lo em seu campo) para usar o seu letal trio MSN nos contra-ataques. Algo pouco comum para o time da Catalunha acostumado a manter a posse por 70% do tempo, em média, propondo o jogo o tempo inteiro. Nem sempre deu certo, e acabou expondo sua zaga (e em especial o goleiro) à marcação pressão, que dificultaram a vida dos jogadores.

As seguidas contusões (de Iniesta, em especial, que é o motor do meio campo) também prejudicaram a equipe. Se os titulares se machucam e as peças de reposição não estão à altura, o padrão cai. O resultado se vê na tabela de classificação.




Má fase também acompanha jogadores, de tempos em tempos, e com integrantes do time culé não seria diferente. Rakitic , Mascherano e Busquets, antes peças fundamentais da equipe, passaram a errar em demasia e fazer com que o meio de campo e a defesa ficassem mais vulneráveis, assim como o passe, qualidade tão admirada nos jogadores barcelonistas, também ficou comprometido,

Por último, o treinador está praticamente de malas prontas pra deixar o time catalão. Não é de hoje que Luiz Henrique entra em atrito com os jogadores, mas durante certo período as coisas pareciam ter se acertado, o que acabou se refletindo em campo com as principais conquistas (entre elas, o sexteto, em sua temporada de estreia) e com exibição de gala do trio de atacantes.




Agora, o desgaste parece evidente demais e a derrocada iminente. Para Henrique, a saída em seus termos parece ser mais adequada e propícia, ao clube e a seu ego.
Mas para bem do time, seus auxiliares devem ir também. Não adiantaria Luiz sair, mas sua filosofia ficar. Não haveria evolução nisso.

Numa temporada cada vez mais próxima do time merengue, e com um Sevilha sendo a “surpresa” da vez (no lugar do Atlético), Barcelona corre o risco de passar em branco, comprometendo sua imagem, seu brilho e seu orçamento para a próxima temporada.




terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Messi ou Pelé? Messi. Eis porquê:









A maior comparação com Pelé, até o início do século XXI era se Maradona equiparava ao ‘maior jogador de todos os tempos’. Argumentos contrários apareciam por toda a imprensa (especialmente a brasileira) durante os anos 80 e 90, tentando mostrar o porquê do camisa 10 da seleção canarinho ser imbatível. Muitos destas justificativas soavam forçadas ou até desesperadas, no afã de preservar o maior nome do esporte do Brasil.  E, apesar da genialidade de Diego Armando, ele não estava a altura da empreitada.

Mas eis que um outro jogador argentino aparecia nas canterias do Barcelona.

Com saúde debilitada e desprezado pelos clubes de seu país (River e Newell’s) Jorge Messi levou seu filho Lionel para a Catalunha. Lá, um olheiro do Barcelona o recomendou e, após 30 segundos a diretoria do time catalão se convenceu da sua contratação e aceitou, também, custear o tratamento.




Desde os 12 anos, Leo Messi vem encantando quem o vê jogar. E quando, finalmente, estreou no time titular do Barça, sua torcida viu que ali nascia uma lenda.

Todos os seus feitos e conquistas o colocaram no topo, mas os arautos  do futebol brasileiro se apressaram em desmistificar o jogador argentino. Os argumentos? Os mesmos que usavam para diminuir Diego Maradona. Mas dessa vez, os fatos falam por si.


PELÉ TEM MAIS DE 1200 GOLS – A imensa maioria de seus gols foram anotados no Campeonato Paulista; a segunda maior estatística, nos amistosos internacionais. Em jogos oficiais o número diminui. Computando Paulista, Rio-SP, Taça Brasil, o total é quase 700 gols, mais da metade de todos os seus tentos marcados.
Na Espanha, não há campeonatos “estaduais”; e os nacionais (Liga e Copa do Rei) têm nível elevado, onde alguns times disputam os principais torneios europeus. Em âmbito nacional Santos enfrentou apenas alguns times de peso, e foram sazonais. Ora Botafogo, de Jairzinho, ora Cruzeiro de Tostão, ora a Academia do Palmeiras. Não havia competividade nacionalmente falando. Mas vivia-se a Era de Ouro da seleção brasileira. Foi a fase dos primeiros títulos, que vieram quase em sequência. Poucas equipes faziam frente à trupe canarinho. E, contando-se amistosos e jogos oficiais, Pelé fez barba, cabelo e bigode.

Outro fator é a disputa polêmica do Mundial Interclubes de 1963. Como o Santos havia sido goleado pelo Milan, na Itália, teve que devolver o placar na volta, no Brasil. Isso gerou um terceiro jogo de desempate. O time italiano, do jogador brasileiro Amarildo, era melhor do que o alvinegro praiano. O jeito foi usar subterfúgios para compensar. Almir Pernambuquinho, que admitiu anos depois ter usado substância ilícita (tomou uma "bomba") para jogar, caçou Amarildo o tempo inteiro, tentando lesionar o atacante milanês. Com isso acabou por prejudicar a equipe adversária. A vitória só veio através de um pênalti polêmico, dado ao Santos. Resultado final: 1x0 e a certeza de que o time brasileiro não era mais imbatível como antes. A solução foi não disputar mais a competição, com a desculpa de que era mais rentável ao time da Vila Belmiro se concentrar apenas em amistosos. Uma tentativa de preservar o clube e evitar eventuais fracassos que pudessem mexer com a imagem do time mais vitorioso do Brasil. 




Em competições mais equilibradas, Lionel conquistou artilharia no continente europeu em 5 oportunidades, além da nacional.

MESSI NÃO JOGARIA NA ÉPOCA DE PELÉ – Talvez a expressão seja inversa. Na época de Pelé, o futebol era outro. O ritmo era menor, o preparo físico dos jogadores era inferior ao de hoje (antes, corria-se 8 quilômetros por jogo; os atletas chegam a quase 13 hoje em dia) e a marcação da atualidade é mais compacta e, portanto, com menos espaço para criação. Se Messi, que foi forjado para atuar contra esse jeito e esse estilo, joga tudo o que sabe, deslumbrando o mundo, imagina naquele tempo? Já Pelé...



LIONEL MESSI NÃO VENCEU COPA DO MUNDO – Na verdade, venceu. Siga o raciocínio: hoje, a principal competição chama-se LIGA DOS CAMPEÕES. Os maiores jogadores do mundo estão nela. Já em uma Copa do Mundo, nem sempre. Tome como exemplo um Bale, do Real Madrid, que atua por País de Gales; ou Lewandowski, que é polonês. Ou até os grandes nomes das seleções africanas que jogam nas principais equipes da Premier League ou Campeonato Alemão e Francês. Suas respectivas seleções dificilmente chegarão à Copa, o que nos privaria de seu futebol, mas é certo vê-los na Champions todos os anos. Portanto, em grau de importância e de nível técnico, a Liga é muito superior. E nesse torneio, que é o mais disputado do planeta e o argentino enfrentou TODOS os grandes times da Europa, mais de uma vez, fazendo gols, dando assistências e encantando o mundo, Messi tem 4 conquistas.
Sem contar que Pelé das 3 conquistas, foi revelação em 58 (mas não o destaque), foi espectador em 62, já que se contundiu na primeira partida, e viu Garrincha desequilibrar para os brasileiros e parte de um grupo genial em 70. Nunca o protagonista.


MESSI SÓ CHUTA COM A ESQUERDA – Muitos dos detratores do futebol do argentino alegam que ele só joga com a perna esquerda. Novamente desconhecimento de causa. Messi também joga (e marca) com a direita, além de ter em seu currículo vários gols de cabeça, peito, com a própria perna direita, mostrando sua polivalência.




MESSI PRECISA PROVAR SEU VALOR NA SELEÇÃO DE SEU PAÍS – Talvez as pessoas esqueçam o fato que Pelé, apesar de ter sido fenomenal, sempre jogou ao lado de gênios absolutos do futebol. Além de seus costumeiros parceiro no Santos (Durval, Mengálvio, Coutinho, Pepe), na seleção de 58 teve Vavá, Nilton Santos, Djalma Santos, entre outros. Em 62, Garrincha, Zito, Amarildo, Didi, Pepe. Em 70, a seleção mais completa de todos os tempos: Tostão, Gérson, Jairzinho, Rivellino, Clodoaldo e Carlos Alberto. Leo padece do mal que é carregar a seleção argentina inteira nas costas. Um fardo difícil, até para alguém igual a ele. Não que DiMaria, Aguero, Higuain, Pastore, Dyballa e Tevez sejam jogadores ruins. Ao contrário. Mas a diferença entre o 10 e os demais é abissal. Pelé não teria o mesmo sucesso se fosse ele e mais dez jogadores comuns. Não teria feito sequer metade dos gols que tem. 




AMBOS NÃO TEM PERSONALIDADE – Meia verdade. Se Messi é avesso às câmeras é devido seu autismo de infância (um tipo brando, por assim dizer) e por ser quase recluso por natureza.  Também evita polêmicas ou se manifestar sobre algum assunto mais contundente. Mas ele começou a quebrar essa escrita recentemente na seleção argentina ao liderar o grupo de jogadores para protestar contra a cobertura da imprensa local contra alguns de seus companheiros. Pouco, mas um começo.

Já Pelé sempre foi omisso por conveniência. Nunca protestou contra a ditadura no Brasil, sequer reclamou do racismo crônico no nosso país. Além de fazer parte do “establishment” do futebol, visando sempre lucro, e com relações perigosas com a CBF.




Mas uma coisa é certa: ambos poderiam fazer mais pelo futebol mundial.


MESSI É JOGADOR DE UM TIME APENAS – Bom, Pelé foi jogador apenas do Santos (seu fim de carreira nos EUA não conta) e nem por isso teve seu potencial desacreditado. Ao contrário; deu a ele (e ao clube) um status diferenciado.  E atuar por um time único na carreira deveria ser motivo de celebração, devido a alta rotatividade de jogadores, que jogam em um clube em uma temporada e pelo rival em outra.



PELÉ CONSEGUIU "PARAR" UMA GUERRA - Em uma excursão pela África, mais precisamente pelo Congo e Nigéria, as guerras locais foram suspensas para ver o time do Santos. Mas isso não é primazia do time praiano. O Dínamo de Kiev (então com o nome de F.C. Start) enfrentou o nazismo, dando ânimo à resistência ao ganhar do time dos nazistas, durante a Segunda Guerra. Assim como a Seleção Brasileira no Haiti. Assim como o marfinense Drogba que conseguiu um cessar fogo em seu país ao conquistar a vaga para a Copa do Mundo. O feito de Drogba é mais impressionante, pois poderia sofrer retaliações em sua nação. 





Já Messi conseguiu algo quase tão significativo. O menino afegão Murtaza Ahmadi se esqueceu, por alguns instantes da realidade sofrida em seu país (guerra, fome, abandono, destruição), e usou uma camisa feita de plástico com o número 10 da seleção argentina. O menino, então, conheceu Lionel em um amistoso realizado no Qatar, onde a despeito de todos os horrores que Murtaza e sua família enfrentam, o garoto conseguia se esquecer de tudo isso, pois estava ao lado de seu ídolo, realizando um sonho.  

JOGADOR DO SÉCULO XX e XXI –
Há uma certa contradição na escolha do melhor jogador e clube do século XX. Pelé foi eleito o atleta do século, mas o Santos foi escolhido apenas como o 5º time, atrás de Real, Manchester, Bayer e Barcelona. Já a melhor equipe foi o Real Madrid de Di Stéfano e Puskás.

No século XXI, o Barcelona já é considerado o principal clube, devido ao futebol, conquistas, importância no cenário mundial. Assim como Lionel Messi é o maior atleta desta era. Uma contradição flagrante. E nem adianta os alienados reclamarem da eleição da Fifa, pois foi a mesma que colocou Edson Arantes do Nascimento como o maior jogador da história (até o surgimento de Messi, é claro).





  Na real, se Pelé fosse dinamarquês e Messi francês, aqui no Brasil ninguém estaria se importando com essa disputa. Mas por se tratar do atleta que foi considerado o maior do século XX sendo brasileiro, e de um argentino seu maior concorrente, a gente acaba vendo uma verdadeira batalha naval, no que tange a argumentos para defender um ou defenestrar outro.

Essa visão vem, em especial de jornalistas da velha geração, retrógrados e que se apegam ao passado (sempre temendo o novo), com seus dogmas baseados na paixão, e não na razão. Este “profissional” da velha guarda não consegue se livrar de seu ponto de vista limitado, cheio de saudosismo do nosso outrora glorioso futebol canarinho.
Mas essa fase passou. 

Desaprendemos como se faz o futebol arte e tivemos que ver um time espanhol nos ensinar novamente como se faz isso. Essa foi a declaração de Pep Guardiola após seu Barça humilhar o Santos de Neymar e Ganso, na final do Mundial de clubes em 2011: “eu aprendi vendo vocês (brasileiros) jogarem; eu vi a seleção de 82 e meu pai viu a de 70”. Aí está a chave da questão; não gostamos de ver os outros fazendo algo em que nós tivemos predominância, respeito (e relevância) durante décadas. Como essa época acabou –e um 7x1 sofrido contra a Alemanha só externa ainda mais a fragilidade do que acontece por aqui, dentro e fora das quatro linhas—muitos se sentem ressentidos e preferem criticar sem fundamento, do que aceitar o inevitável.

Por isso faço minhas as palavras do jornalista da ESPN Brasil, Mauro César Pereira:  quando Messi parar de jogar, ele será o ÚNICO que poderá se sentar à mesa junto de Pelé.


Mais brilhante, impossível








domingo, 1 de janeiro de 2017

Felipe Melo e o retrato do futebol brasileiro





 A gente percebe o tamanho da decadência do futebol brasileiro quando quatro grandes clubes se alvoroçam para contratar o limitado e violento jogador Felipe Melo.

Perceba que estou falando de um reles VOLANTE, algo que há de sobra no futebol mundo afora. Ainda se fosse um meia ou um atacante goleador...O mesmo que prejudicou a seleção brasileira em 2010 ao pisar no jogador holandês, já caído no chão (prática corriqueira na carreira do jogador), sendo expulso pelo destempero.




O que faz os presidentes destes clubes acharem que Melo é a solução para alguma coisa? Caro, indisciplinado, desleal com colegas de profissão, seu retorno serviria, quando muito, como jogada (discutível) de marketing. Repatriar atletas brasileiros que estão no exterior há um bom tempo, às vezes funciona. Mas com um jogador a altura da empreitada.



O Corinthians teve êxito com Ronaldo e tentou repetir a dose com Alexandre Pato. Deu com os burros n’água, mas a ideia era interessante. Caro demais, mas interessante. Com Felipe Melo há um enorme risco de ter um jogador desagregador, que constantemente deixará seu time na mão –seu histórico de expulsões é uma enormidade.



Ao clube que conseguir contratá-lo (no caso, o Palmeiras), boa sorte. Vai precisar muito.



Em tempo: o Palmeiras parece ter acometido da mesma doença que o S.C. Corinthians, no ano em que faturou seus principais títulos: com recorde de faturamento resolveu gastar mais do que deveria. Resultado: em 2016, apenas quatro anos depois de seus maiores feitos, vive uma decadência ímpar. Resta saber se os palmeirenses tirarão uma valorosa lição do infortúnio de seu arquirrival, ou se irá se afogar nos milhões dos patrocinadores e cotas de TV. O tempo dirá.