segunda-feira, 28 de maio de 2018

Cristiano Ronaldo e o “efeito Neymar”







   Ao ganhar mais um título da Liga dos Campeões, Cristiano Ronaldo acabou ofuscando a conquista de todo o elenco ao dizer em entrevista no fim do jogo que “foi bonito jogar no Real”. Evidentemente as especulações começaram e as redes sociais repercutiram mais essa frase do que o título em si. Mas ele está mesmo de saída? O mais provável é que não.

   Além de uma multa rescisória que beira quase um bilhão de reais, CR7 tem ainda 3 anos de contrato com a equipe merengue e, pra piorar, pouco mercado para um atleta com 33 anos e, portanto com apenas mais dois de vida útil no futebol. Isso porque apenas os times de Manchester teriam condições de bancar sua multa, mas o City não tem interesse e o United poderia comprometer seu fair play financeiro com tamanha empreitada. Sobra ainda o PSG, mas Cristiano ainda tem ambições pessoais como títulos e o time francês oferece muito pouca competitividade por ora, para alguém acostumado a brigar pela Champions e, conseguinte, a Bola de Ouro.

   Mas qual a relevância da frase do português? Simples. Neymar.


    Cotado para ser seu companheiro de ataque na próxima temporada, Neymar Jr é um dos atletas mais badalados de mundo e talvez o único que consegue ser mais midiático do que o próprio atacante do Real. E para piorar, seu salário anual gira em torno de 35 milhões de euros. CR7 segue o teto imposto por Florentino Perez, que é de 23 milhões. Lembrando que Lionel Messi também tem a mesma faixa salarial do brasileiro. Isso só piora as coisas, do ponto de vista de Cristiano.

   Há ainda um fator que está em pauta aqui: o craque da seleção portuguesa não esqueceu que, durante seu problema com o fisco na Espanha, o Real Madrid não o amparou como esperava. O caso é grave e tem uma multa de quase 15 milhões de euros, ou prisão. Lógico que, lá como cá, isso não acontece. Mas é uma derrota nos tribunais que CR7 não esperava, ao menos não de maneira acachapante.

   Se Neymar for realmente contratado pelo atual campeão da Liga dos Campeões, será uma jogada de mestre de sua diretoria e, creio que o brasileiro seria bem recebido por lá, incluindo pelo jogador português que é destaque do time há anos. Mas a ciumeira salarial teria que ser resolvida de maneira rápida para não respingar na boa fase que vive o time merengue em âmbito europeu. Até pelo fato de Neymar ser, sabidamente, um desagregador em vestiários. Bater de frente ou parecer ter mais privilégios do que a prima donna de Madrid seria ruim para todas as partes envolvidas.






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